Os filmes de terror como alegoria para os horrores sociais
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A filmografia de terror do período de trinta anos que compreendeu as décadas de 1950,
1960 e 1970, acompanhou o medo se aproximar e como a sociedade estadunidense
lidava com ele. Na década de 1950, o terror era algo longínquo, que vinha de fora para
bagunçar a estrutura social da América. Nesse sentido, o filme Vampiros de Almas de
Don Siegel, sintetizou as inseguranças dos Estados Unidos de se render ao regime
comunista e a paranóia vigente com a caça às bruxas comandada pelo Senador
McCarthy. A década de 1960 começou, então, com a promessa de quebra dos sonhos
dourados prometidos na década anterior. As minorias inconformadas com o tratamento
desigual, passaram a lutar pelos Direitos Civis e os mais conservadores perceberam
que o perigo já não era externo, mas interno. A suplantação do velho pelo novo é um
dos sentimentos presentes no filme A Noite dos Mortos-Vivos, de George A. Romero,
que retratava as idéias retrógradas como mortos que insistiam em se manter ativos. A
aproximação do terror, enfim, atingiu as famílias na década de 1970, em um já
esperado choque de gerações que o filme O Exorcista, de William Friedkin representou
ao mostrar uma mãe que já não sabia lidar com a própria filha. Usando de alegorias,
esses filmes e alguns outros desse período, estreitaram as relações entre ficção e
realidade, imprimindo um aspecto documental a essas produções.