A escola como organização mercantil
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Abstract
Este trabalho desenvolveu-se a partir de uma pesquisa de campo realizada por meio do
Programa de Iniciação Científica-PIBIC/CNPq propiciado pelo UNICEUB, com o tema: a
articulação entre concepções de infância e de desenvolvimento infantil no contexto escolar. O
objetivo do trabalho é examinar se a escola pode ser caracterizada como uma organização
mercantil, sendo estruturada pelos ditames econômicos da sociedade centrada no mercado.
Foram analisadas as falas de três grupos de pais e três de professores de crianças entre 7 e 11
anos, de escolas públicas e particulares do Distrito Federal e cidades satélites. Observou-se
que a escola, na visão dessas pessoas, tem como função primordial preparar as crianças para
uma vida futura. Reflexo disso são os discursos de professores que vêem a escola como uma
necessidade para a preparação do aluno para o mercado de trabalho. Os pais reafirmam a fala
dos professores, acentuando que as escolas devem atender às demandas do mercado de
trabalho, mediante cursos extras de idiomas, computação, mediante aquisição de materiais
técnicos e métodos eficientes com vistas a dar conta de atender as futuras demandas do
mercado de trabalho. Analisando o processo histórico, pôde-se constatar que a educação no
período greco-romano tinha ligação direta com o modo de vida daquele povo bem como ao
momento histórico e cultural dos gregos e romanos. Por exemplo, em um primeiro momento,
a educação era voltada aos feitos heróicos e da vida prática. Ao longo do tempo, a medida
que as cidades mais importantes expandiam-se, a educação vincula-se às artes da guerra.
Devido a essa expansão da polis grega, surge a Paidéia, esta passa a almejar um sujeito
autônomo, reflexivo e filosófico, assumindo um caráter ativo na sociedade. Tais idéias de
homem irão manifestar-se em dois modelos distintos e antagônicos: a retórica dos sofistas e a
dramaticidade e universalidade da educação em Sócrates e Platão. No auge da cultura Grega,
desenvolve-se o modelo helenístico de educação com a busca mais científica e especializada
da educação, o modelo de homem é auto-suficiente. Com a queda do império Romano e o
inicio da Idade Média, o modelo de educação toma outra configuração, ela desaparece,
esconde-se nos mais secretos portões dos mosteiros, sob proteção sempre desconfiada dos
monges. A população aprende na ação diária da própria comunidade, a aprendizagem
acontece na vida vivida, na atividade com os adultos. Finalmente na modernidade é que
surgem os colégios e escolas, com o intuito de cuidar e proteger a criança , civilizando-a. Com
a emergência e fortalecimento do capitalismo, a escola toma outra configuração, torna-se uma
organização mercantil com características bem delineadas, pois tem como objetivo apenas a
atender as demandas do mercado econômico.