A família e o sujeito: um processo de construção e influências mútuas
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O presente trabalho tem como objetivo compreender a importância e influência da família na
construção do sujeito, e deste na família, demonstrando que ambos compõem-se mutuamente.
Dada a complexidade do tema, procurou-se inicialmente apresentar as diversas mudanças
pelas quais a família tem passado em decorrência das contínuas transformações sociais,
afetando, conseqüentemente, a formação de seus componentes, uma vez que as subjetividades
sociais interferem e influenciam nas subjetividades individuais destes. Observou-se que, ainda
que tais transformações venham refletindo nas atuais configurações familiares, permitindo
que estas se estruturem sob uma múltipla variedade de arranjos, tal fato não é determinante na
formação do sujeito, pois o importante é a qualidade das relações, o vínculo, a comunicação e
a possibilidade de expressão dos afetos, no interior da família. Além disso, levantou-se a idéia
de que o sujeito possui participação ativa em seu processo, sendo construído pelo meio,
especialmente por sua família, mas também o construindo e construindo a si mesmo através
de sua singularidade. Em seguida, discutiu-se o processo comunicativo, visto que este
representa um dos principais fatores para a construção da subjetividade, e considerando-se
que a família, principal contexto de desenvolvimento humano e grupo social primário dos
sujeitos nela inseridos, constitui-se como um ambiente propício a tais interações e trocas
sociais. Enfatizou-se a comunicação dialógica, demonstrando-se que o sujeito constrói seu
conhecimento, sua realidade e sua própria identidade ou self no contexto relacional, a partir
das narrativas que constrói nos espaços intersubjetivos do diálogo, as quais são
constantemente co-criadas e reconstruídas. Neste sentido, percebeu-se que, do mesmo modo
que a família, o sujeito também se encontra em permanente transformação, sendo que estas
igualmente afetam e influenciam o contexto pelo qual ele próprio é afetado, pois a
subjetividade apresenta um caráter circular e recursivo, de maneira que as subjetividades
individuais também interferem e influenciam nas subjetividades sociais. Por fim, a
comunicação foi levada a termos mais amplos, englobando-se o processo comunicativo entre
as gerações familiares, e não apenas intra-familiar, por meio do fenômeno transgeracional.
Observou-se que, apesar da forte presença que este mantém na vida dos integrantes familiares
e na definição de seus papeis, os sentidos estão contínua e incessantemente sendo co-criados e
as narrativas sendo re-interpretadas, de modo que sempre há espaço para escolhas e liberdade
para a reapropriação e reconstrução da história de vida de cada um e da família, pois os
sujeitos são ativos em seus processos. Dessa forma, concluiu-se que, ainda que família e
sujeito não sejam plenamente responsáveis pela construção e formação recíprocas, ambos são
extremamente importantes e indispensáveis em suas constituições mútuas.