A relação com o outro na construção da psicopatologia sob o enfoque da Gestalt-terapia
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Este trabalho foi desenvolvido no intuito de fazer uma reflexão teórica no enfoque da
Gestalt Terapia, acerca da psicopatologia, com ênfase nos aspectos relacionados às
interações do indivíduo com o outro, ou seja, com as pessoas significativas, com as quais
ele mantém contato ao longo do seu desenvolvimento. O objetivo central foi compreender
os tipos de relação que o indivíduo cujo funcionamento psíquico é classificado como
patológico, estabelece com o outro, ou seja, entender como o tipo de contato que o
indivíduo estabelece com seu meio contribui para o desenvolvimento da psicopatologia.
Para isto, foi realizada uma pesquisa bibliográfica sobre a visão da Gestalt Terapia e da
abordagem fenomenológico-existencial a respeito da psicopatologia. Em um primeiro
momento, é apresentada uma perspectiva histórico-cultural feita por Michel Foucault
sobre o desenvolvimento do conceito de doença mental e sobre os diferentes modos como
a psicopatologia foi vista pela sociedade ao longo dos anos. Em seguida, procurou-se
expor os conceitos de neurose e psicose de acordo com a abordagem fenomenológicoexistencial
e evidenciar os aspectos relacionados ao contato com o outro no
desenvolvimento da personalidade patológica na perspectiva da Gestalt Terapia. A partir
do estudo realizado, pode-se concluir que a psicopatologia se daria, em parte, em função
da submissão do indivíduo às exigências das pessoas com as quais tem contato e mantém
algum tipo de dependência. Por não saber lidar com estas exigências de modo a buscar um
equilíbrio entre suas necessidades e as expectativas externas, o indivíduo encontra, como
única estratégia de sobrevivência possível, a submissão ao outro e a rejeição de suas
necessidades organísmicas. À medida que este processo se repete, ele perde cada vez mais
a capacidade de distinguir qual é a sua necessidade dominante em cada situação,
internalizando completamente as significações dadas por outras pessoas às suas próprias
experiências. A falta de contato e de mobilização de energia para a ação, com a
conseqüente frustração das necessidades do organismo, impede a auto-regulação e a
atualização do self, gerando um funcionamento psíquico patológico. Percebe-se, então,
que para que a personalidade desenvolva-se de modo saudável, é preciso que o indivíduo
possa ser capaz de fazer escolhas de acordo com suas necessidades, estabelecendo
interações com o meio que possam satisfazê-las.