Filhos da exclusão: o sujeito em sofrimento psíquico grave na pós-modernidade
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O tema do presente trabalho é a situação do sujeito sob sofrimento psíquico grave na pósmodernidade.
Assim, nosso objetivo consiste em promover uma reflexão sobre as
possibilidades do sujeito em sofrimento psíquico grave de se articular na sociedade
contemporânea a despeito de seus efeitos repressores. Acreditamos que a atuação do sujeito,
com base em suas próprias construções de sentido pode amenizar a intolerância social com a
diferença a partir da valorização da subjetividade. Para atingirmos tal objetivo recorremos às
noções de sentido subjetivo, subjetividade individual e social, configuração e a idéia de
sujeito, postulados pela teoria da subjetividade. Tal enfoque nos interessa por abordar o
homem a partir de uma visão integrada, rompendo com a tendência disjuntiva das teorias
modernas. Os conceitos supracitados serão relacionados às práticas excludentes na sociedade
atual ao considerarmos a relevância da questão da identidade e das representações sociais
enquanto limitadores da expressão da subjetividade individual e do senso de responsabilidade
sobre si mesmo do indivíduo. Dentre outras variáveis, destacamos também o papel da lógica
capitalista nas relações e nos valores humanos, assim como seus impactos nas práticas
discriminativas. Discutimos as influências do capitalismo sobre a representação social do
louco, baseada em uma idéia de impotência para o trabalho e da destituição da voz do sujeito.
Neste ponto, destacamos os principais mecanismos que mantém o manicômio, dentre os quais
destaca-se o manicômio interno, correspondente ao imaginário social sobre a loucura, ou seja,
suas representação social. Destacamos o papel patologizante desta instância, que limita as
articulações do indivíduo em busca de sentido. No que concerne aos possíveis efeitos
repressores da criatividade do sujeito, exemplificamos as práticas psiquiátricas que exercem
um efeito despersonalizante sobre o indivíduo e após, exige que o mesmo tenha forças para
restabelecer-se. Sobre este assunto, faz-se referência ao estágio da autora em uma instituição
psiquiátrica a fim de elucidar a problemática suscitada. A dimensão do sentido para a vida do
sujeito emerge como um campo essencial de trabalho a fim de ressignificar a experiência do
indivíduo, facilitando seu restabelecimento em sociedade. O trabalho de instâncias ligadas ao
sentido do tempo, do trabalho e do vínculo apresenta-se como uma possibilidade bastante
eficaz considerando-se o modo de vida pós-moderno. Além disso, em sua experiência de
estágio, a autora pôde ratificar a necessidade de uma intervenção baseada em uma postura de
não-saber por parte do psicólogo, que assim, possibilitará a livre expressão do indivíduo,
favorecendo a emersão de novos sentidos, assim como valorizando as articulações do sujeito.