O Brasil de Lula: um balanço das percepções dos EUA
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A assunção de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência do Brasil caracterizou o
desenvolvimento de uma política externa baseada na diplomacia e no fortalecimento das
relações bilaterais e multilaterais com o objetivo de ampliar a participação e a emergência
internacional do país. A busca de uma voz mais ativa no cenário externo e de uma maior
integração no âmbito da América do Sul esteve ao longo do período sob o olhar atento dos
Estados Unidos, potência econômica e política que desempenha um papel de extrema
relevância no cenário internacional. Nesse contexto, a presente pesquisa tem como objeto de
estudo as percepções da comunidade acadêmica estadunidense em relação ao Brasil do
governo Lula. O objetivo principal consiste em determinar como as políticas públicas e a
conjuntura doméstica brasileiras foram interpretadas no meio intelectual dos Estados Unidos
em termos da emergência do país como um global player. Nesse sentido, analisou-se o
desenvolvimento histórico das relações entre Estados Unidos e Brasil desde a Independência
brasileira, em 1821, até o final do segundo mandato do presidente Lula, em 2010. Dessa
forma, é possível constatar o conjunto de fatores e o caminho que conduziu à configuração
das políticas públicas brasileiras e da conjuntura interna entre 2003 e 2010. O presente estudo
de caso também trabalha, com base na corrente construtivista de Relações Internacionais, a
relação entre mídia acadêmica e política e de que maneira as percepções da primeira
influenciam a formulação da segunda. As evidências analisadas referem-se aos editoriais e
artigos da revista acadêmica estadunidense Latin American Politics and Society, tendo sido
identificado e sistematizado como tal meio interpreta o Brasil que se apresentou ao longo do
governo Lula. Dessa forma, é possível identificar até que ponto tais interpretações
influenciam o processo de emergência externa e liderança regional brasileira. Observou-se,
como resultado da pesquisa, uma dominante preocupação quanto à qualidade democrática nos
países latino-americanos como um todo, tendo sido examinados diversos elementos que
pudessem ajudar a “medir” a qualidade da democracia no Brasil. No que concerne à
emergência brasileira, os artigos demonstram que o objetivo de integrar a América Latina
constitui parte de uma visão mais consolidada do Brasil em utilizar o bloco regional como
base para a sua projeção internacional e autonomia relativa