Bras Cubas: um defunto estrambótico: a ironia como tática de ação
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Entre o final do século XIX e início do século XX o Brasil estava
passando por transformações sócio-políticos, tais como as teorias da nova
interpretação da realidade; a fundação do Partido Republicano nacional após a
Guerra do Paraguai; a decadência da monarquia brasileira; a campanha
abolicionista a partir de 1850 que culminou com a Lei Áurea em 1888; o fim da
mão-de-obra escrava e sua substituição por trabalho assalariado; a vinda de
imigrantes europeus para a lavoura cafeeira e a economia mais voltada para o
mercado externo, sem colonialismo.
A manifestação literária em vigor nesta fase é o Realismo. Suas
características estão intimamente ligadas ao momento histórico, refletindo as
idéias do Positivismo, do Socialismo e do Evolucionismo. Manifesta o objetivismo,
como uma negação do subjetivismo romântico; o personalismo cede terreno ao
universalismo; o materialismo leva a negação do sentimentalismo e da metafísica.
O romance realista compreende duas manifestações literárias muito diferentes,
que são o Realismo Naturalista e o Realismo Psicológico.
Memórias póstumas de Brás Cubas, objeto de estudo da monografia, é
uma das obras que marca o inicio do Realismo no Brasil. Pertencente a segunda a
fase de Machado de Assis, conhecida também como fase matura, apresenta um
humor refinado sutil, mesclado de ironia, de sarcasmo.
Brás Cubas um defunto estrambótico – a ironia como tática de ação 7
Nesta segunda fase machadiana percebe-se a influência da literatura
menipéia e da tradição luciânica. Machado de Assis as usa para trabalhar a ironia
em suas obras. Escritor dedicado a problematização e ao questionamento da
função da Literatura, Machado de Assis inova, em Memórias póstumas de Brás
Cubas, a temática, a estrutura e a linguagem. Usa a ironia como recurso estilístico
para criticar a sociedade e a elite do período.