Steve Jobs, o ídolo improvável e o desejo de consumo: a comunicação transformando paixões em necessidades
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O propósito deste trabalho é buscar justificativas para a transformação de Steve Jobs de um hippie zen-budista no maior ícone da tecnologia, e em um dos grandes gurus da sociedade contemporânea. Personalidade controversa, capaz de despertar tanto o ódio como a paixão dos que com ele conviveram, Jobs conseguiu alçar a Apple a um patamar de admiração e, por que não, de fervor semelhante ao religioso, quase que unânime no mercado da tecnologia. Partindo da premissa de que Jobs não foi um grande inventor, porque a maioria de seus produtos nada mais é do que o resultado do aprimoramento de técnicas já existentes, este trabalho aponta Jobs como sendo, na verdade, um talentoso comunicador, mestre na arte da persuasão, dotado de um instinto mercadológico que acabou lhe conferindo a imagem de maior visionário do fim do século XX. Por meio do estudo de obras biográficas de Jobs, assim como de publicações sobre teorias da administração, gestão da comunicação, cibercultura e tecnologia, e também por meio de artigos na internet e dissertações sobre temas relacionados, este trabalho mostra que Jobs não mudou o mundo, e sim, convenceu-o a adotar o padrão de design e a simplicidade dos produtos da Apple, como essenciais para se atingir o ideal de vida da abastada sociedade tecnológica do início do Século XXI.