Teorias de justiça e práticas de cidadania: reflexões sobre vulnerabilidade e inclusão social

dc.contributor.authorLongo, Ana Carolina F. (org.)
dc.date.accessioned2026-03-24T17:39:30Z
dc.date.available2026-03-24T17:39:30Z
dc.date.criacao2026
dc.date.issued2026
dc.description.abstractEste livro nasce, na disciplina Teorias de Justiça, no segundo semestre do curso de Direito, no qual se relata o encontro da teoria com prática, no qual se buscou integrar a reflexão filosófica e intervenção social, com a presença dos alunos no território. Ao longo do curso, os estudantes foram instigados a compreender a justiça não como conceito abstrato e distante, constante nos escritos de teóricos da filosofia clássica, mas como categoria viva, tensionada por desigualdades concretas e por experiências reais de vulnerabilidade. Os processos de ensino e aprendizagem abrangeram os conceitos fundamentais de Filosofia, Direito e Justiça, considerando as diversas acepções conceituais, como justiça distributiva, corretiva, social, equidade e reconhecimento, até alcançar as visões contemporâneas do igualitarismo liberal, do libertarianismo, do comunitarismo, do multiculturalismo, do marxismo analítico e dos feminismos. A cada etapa, o desafio colocado aos estudantes foi o de articular teoria e prática, argumentação e responsabilidade ética, pesquisa e transformação social. A metodologia adotada estruturou-se em quatro fases de interação com a comunidade externa: diagnóstico, planejamento, execução e devolutiva, exigindo encontros presenciais e a produção de soluções juridicamente fundamentadas e socialmente factíveis. O trabalho não se limitou à análise crítica, mas uma percepção empática com as pessoas em vulnerabilidade, compreendendo a responsabilidade social da instituição de ensino. Cada grupo foi responsável por desenvolver pesquisa empírica, elaborar reflexão teórica consistente e propor um plano de ação viável, atento às circunstâncias contextuais e às possibilidades concretas de captação de recursos, para que as comunidades pudessem atender suas necessidades mais básicas. O texto produzido por cada equipe representa o esforço coletivo de pesquisa bibliográfica ampliada e de diálogo rigoroso entre as falas colhidas com o arcabouço teórico da disciplina. O resultado tem densidade acadêmica e compromisso ético. As experiências relatadas neste livro envolvem mulheres plantadoras de café, mulheres que promovem o letramento racial em escolas, mães de crianças com câncer, lideranças da Rede Feminina de Combate ao Câncer, jovens oriundos do sistema de abrigamento e mulheres vítimas de violência. Em cada um desses contextos, os estudantes foram confrontados com perguntas decisivas. O que significa igualdade de oportunidades quando as condições de partida são estruturalmente desiguais. Como interpretar a dignidade humana diante de políticas públicas insuficientes. De que forma os princípios de justiça distributiva, reconhecimento ou autodeterminação podem orientar soluções concretas. Os textos aqui reunidos dialogam com John Rawls, Ronald Dworkin, teorias do multiculturalismo e diferentes vertentes do feminismo. No entanto, não se trata de um exercício meramente exegético. As teorias foram mobilizadas como instrumentos críticos para identificar violações, explicitar critérios normativos e fundamentar propostas transformadoras. Em diversas situações, os estudantes perceberam que a injustiça não se manifesta apenas na ausência de direitos formalmente reconhecidos, mas na precariedade das políticas de implementação, na invisibilização de grupos e na naturalização de desigualdades históricas. Este livro também é resultado de uma concepção pedagógica que entende o Direito como fenômeno complexo, atravessado por dimensões filosóficas, sociológicas, políticas e econômicas. Ao promover a integração entre ensino e extensão, a disciplina buscou formar profissionais capazes de pesquisar, argumentar e propor soluções eticamente responsáveis, assumindo o papel de agentes de transformação social. As páginas que seguem revelam inquietações, aprendizados, tensões e descobertas. Revelam estudantes que deixaram a posição confortável de intérpretes de textos para se tornarem interlocutores de comunidades reais. Revelam comunidades que, ao compartilharem suas demandas, também produziram conhecimento. Revelam, sobretudo, que a justiça não pode permanecer confinada às teorias, sob pena de perder sua razão de ser. Que esta obra possa contribuir para ampliar o debate sobre o papel das teorias de justiça na formação jurídica e, ao mesmo tempo, reafirmar a extensão universitária como espaço legítimo de produção de saber comprometido com a dignidade, o reconhecimento e a efetivação de direitos.pt_BR
dc.identifier.citationLONGO, Ana Carolina F. (org.) Teorias de justiça e práticas de cidadania: reflexões sobre vulnerabilidade e inclusão social. Brasília: CEUB, 2026.pt_BR
dc.identifier.isbn978-85-7267-245-0
dc.identifier.urihttps://repositorio.uniceub.br/handle/prefix/18018
dc.language.isopt_BRpt_BR
dc.subjectInclusão socialpt_BR
dc.subjectIntegração socialpt_BR
dc.titleTeorias de justiça e práticas de cidadania: reflexões sobre vulnerabilidade e inclusão socialpt_BR
dc.typeLivropt_BR

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