O trauma psíquico no enfoque da neurociência e da Gestalt-terapia
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Esta monografia teve como objetivo compreender o trauma psíquico no enfoque da
neurociência e da Gestalt Terapia. No enfoque da neurociência, o trauma psíquico é definido
como uma experiência interpretada pelo organismo como ameaçadora à sobrevivência do
indivíduo, desencadeando a atuação do sistema límbico e de outras áreas do sistema nervoso
no condicionamento do organismo para a resposta de luta ou fuga. E também, inclui como
essencial, o entendimento da terceira resposta de defesa, a qual se refere ao congelamento
(imobilidade do organismo) associada à dissociação decorrente, a qual consiste na cisão entre
o conteúdo do fato traumático e a emocionalidade deste e que, juntamente, ocorre a amnésia
de partes ou da totalidade do conteúdo da experiência traumática. A realidade orgânica
singular estabelecida durante e após a experiência traumática, devido, principalmente, à
resposta de congelamento, responsável pelo aprisionamento da memória da vivência
traumática, pode desencadear diversas conseqüências no funcionamento neurofisiológico
como a dissociação, a memória traumática não-processada completamente e o kindling,
ocasionando o surgimento de doenças físicas crônicas, transtorno de estresse pós-traumático
agudo e crônico e distúrbios de personalidade. Como forma de tratamento do trauma psíquico
proposta pela neurociência, foram abordadas neste trabalho diversas técnicas terapêuticas
baseadas na acupuntura (Roger Callahan e Tapas Fleming) e na sensopercepção (Levine), que
consistem em uma nova maneira de facilitar o processo recuperação de pessoas que sofreram
uma experiência traumática. No enfoque da Gestalt Terapia, o trauma psíquico é
compreendido com sendo o resultado da vivência de uma experiência intolerável e inevitável,
que foi internalizada passivamente, se tornando um microcampo introjetado que deve ser
reprimido pelo Self e funções ego do Self no sentido de impedir que este seja revivido no
presente. Esta repressão vista pela Gestalt Terapia como uma interrupção de contato com os
conteúdos existentes no mundo interno, torna-se necessária devido ao fracasso da função ego
em evitar ou transformar a experiência intolerável, que uma vez introjetada, desencadeia
outros bloqueios de contato consigo e com o meio, gerando as neuroses ou distúrbios de
personalidade. A visão da Gestalt Terapia proporciona uma compreensão ampliada a respeito
das relações do indivíduo com o outro e com o si mesmo, quando este, ao introjetar
experiências tóxicas impostas pelo meio, desenvolve padrões rígidos e repetitivos de
comportamentos, caracterizados por mecanismos de bloqueio do contato cristalizados, como
forma de manter seu equilíbrio no campo organismo-meio próprio do funcionamento
neurótico. Nesta perspectiva, o tratamento busca fazer com que a pessoa traumatizada se
fortaleça e comece a contactar o introjeto tóxico, para poder assimilá-lo e integrá-lo ao Self,
ou seja, promovendo o resgate de sua capacidade de utilizar suas resistências orais, que são
habilidades para morder, mastigar e assimilar as experiências intoleráveis ou o alimento
mental intragável. Como conclusão, percebe-se que os conhecimentos provenientes dos dois
enfoques são complementares, proporcionando o aprofundamento da compreensão do trauma
psíquico, como também contribuindo para uma maior eficácia do tratamento.