Reflexões sobre o lugar do adolescente com câncer no processo de hospitalização
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Este estudo tem como objetivo refletir sobre o lugar do adolescente com câncer no processo
de hospitalização. Origina-se a partir das inúmeras inquietações suscitadas no decorrer de
nossa experiência de estágio junto a jovens hospitalizados com algum tipo de neoplasia. Para
alcançarmos nossa meta realizamos uma revisão da literatura, que apresenta uma grande
lacuna quando os descritores são adolescentes hospitalizados ou com câncer, e
complementamos com as vivências de estágio. Para um melhor desenvolvimento do trabalho
é necessário que conheçamos alguns temas importantes relacionados ao período da
adolescência, por isso desenvolvemos este estudo a partir de três eixos. Primeiramente,
discorremos acerca dos fundamentos teóricos da adolescência e o processo saúde-doença
nessa fase: aqui fazemos uma reflexão sobre o lugar destinado ao adolescente ao longo da
história, suas principais características e as transições que o jovem enfrenta ao deparar-se com
uma enfermidade crônica. Em seguida, apresentamos a problemática questão do câncer na
adolescência e seus desdobramentos advindos com a representação social da doença, com o
diagnóstico, com o tratamento e com a falta de possibilidades terapêuticas, ou seja, com a
complexidade dos cuidados paliativos e o processo de morte e morrer. Por último, refletimos
sobre o lugar que o jovem ocupa durante o tratamento quando necessita de hospitalização,
observamos que nesse momento ocorrem várias rupturas, pois ele se depara com o
afastamento do grupo de amigos e com o isolamento social que o seu quadro clínico muitas
vezes requer. Durante nossas vivências junto a adolescentes hospitalizados com neoplasias,
verificamos que o processo de internação constitui-se em algo tão difícil quanto a
enfermidade. A hospitalização é uma invasão bárbara de vários procedimentos terapêuticos
que afasta o indivíduo do convívio social e deixa o adolescente sem lugar. Visto que a este é
destinado um espaço que não contempla suas necessidades mais prementes, de um ser em
busca de um lugar no mundo. Ressaltamos que a falta de sensibilidade, capacitação e
investimento afetivo por parte da equipe de saúde, mobilizam muito os jovens hospitalizados
de forma negativa. Precisamos, enquanto profissionais de saúde, olhar o adolescente de uma
nova forma e de políticas públicas mais direcionadas a essa fase de desenvolvimento.