Doping no esporte de combate: uma análise epidemiológica da realidade brasileira
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Dopagem (doping em inglês) é popularmente conhecida como a utilização de substâncias ou
métodos proibidos capazes de promover alterações físicas e/ou psíquicas que melhoram
artificialmente o desempenho esportivo do atleta (ABCD, 2021). No âmbito dos organismos
nacionais e internacionais antidopagem, incluindo a ABCD, a definição de Dopagem é mais
abrangente e está relacionada com a ocorrência de uma ou mais violações às regras
estabelecidas nos artigos 2.1 a 2.11 do Código Mundial Antidopagem (World Anti-Doping
Code, 2021), que é o conjunto de normas que têm o objetivo de unir e fortalecer as políticas
antidopagem adotadas por todos os países que aderiram à Convenção Internacional contra a
Dopagem no Esporte. O uso destas substâncias, além de ser desonesto, ocasiona mudanças
em quem a consome, podendo até mesmo levar a óbito (ABCD, 2020). Sendo assim,
procura-se demonstrar com este estudo a realidade brasileira atual sobre o cenário nacional
no esporte de combate identificando o conhecimento do atleta brasileiro sobre doping e
para tanto definir, a nível nacional, quem são esses atletas e quais as principais substâncias
utilizadas. Esta pesquisa caracteriza-se como um estudo descritivo de prevalência. A coleta
de dados foi realizada em âmbito nacional por meio de questionário eletrônico
auto-administrado. As variáveis numéricas foram analisadas quanto a presença de
distribuição normal utilizando o teste de Kolmogorov-Smirnov com correlação de
significância de Lilliefors. Considerando a distribuição não normal das respectivas variáveis,
os resultados foram apresentados utilizando mediana e amplitude interquartil. As variáveis
categóricas foram apresentadas em frequências (absoluta e relativa). O teste de
Qui-quadrado (c2
) foi empregado na comparação de proporções entre as variáveis
categóricas. A análise estatística dos dados foi processada pelo software Statistical Package
for Social Sciences (SPSS), versão 26, considerando-se um nível de significância de 5% (a =
0.05). Foram realizados 126 questionários, em que 35.7%foi a prevalência pontual de doping
na amostra, sendo que 100% destes reportaram que nunca testaram positivo em um exame
antidopagem. Além disso, 44,1% dos atletas que utilizaram doping, o fizeram por mais de
cinco vezes. Os médicos foram os principais prescritores (42,6%). Ainda, de toda a amostra,
54,8% conhecia a definição de dopagem e 77% conhecia suas consequências. Conclui-se que
o doping é uma realidade no esporte e, portanto, é fundamental expor e dialogar a respeito
do assunto, a fim de promover a saúde do atleta, a equidade em competição e o esporte
limpo.