Diz-me como andas que te direi onde estás: inserção do aspecto relacional na análise da mobilidade urbana para o pedestre
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UniCEUB
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A tese explora a “caminhabilidade” e tem por objetivo (a) analisar em que medida a “forma
urbana” (em suas instâncias morfológicas e sintáticas) interfere nos deslocamentos das
pessoas a pé, e (b) identificar os fatores que afetam a escolha de percursos pelos indivíduos.
O estudo justifica-se pela aparente ausência de uma abordagem relacional para a
investigação do tema, e procura aproximar perspectivas da Arquitetura e da Engenharia de
Transportes ao assumir a cidade enquanto um sistema cujas relações entre os elementos
constituintes são interdependentes. Para a aplicação do aparato metodológico, foram
selecionados três bairros da cidade de Lisboa (Portugal) por apresentarem distintas
características de malha, entendidas enquanto síntese da “forma urbana”: Graça (desenho
orgânico), Campo de Ourique (traçado regular) e Telheiras (malha contemporânea). A
pesquisa foi desenvolvida em três etapas: (a) “caracterização”: seleção e análise de
informações para os três bairros, a incluir dados globais (em relação à cidade como um
todo) e locais (o bairro e seu entorno imediato); (b) “aquisição de dados”: produção de
modelagens a partir da Teoria da Lógica Social do Espaço ou Sintaxe do Espaço, análise de
uso do solo, execução de contagens de fluxos e aplicação de questionário online; e (c)
“modelagem”: Análise da Geração de Viagens, Análise da Satisfação Pedonal e Análise da
Escolha Modal e de Caminhos. Os resultados obtidos permitiram responder às duas
questões de pesquisa: (a) qual o impacto do fator “forma urbana” na geração de viagens a
pé? e (b) que fatores influenciam na escolha das pessoas tendo em conta o modo de
deslocamento e os caminhos a serem percorridos? Os achados indicam o papel da forma da
cidade como um aspecto determinante para o deslocamento urbano dos pedestres
(estabelecimento das rotas), uma vez que há uma estreita relação entre espaço construído,
uso do solo e dinâmicas de movimento (vida pública). ‘Diz-me como andas que te direi
onde estás’ é o título desta tese: a pesquisa indica que a “forma urbana” é um elemento
muito mais eloquente do que se supõe para a leitura do deslocamento a pé dos indivíduos.