O comércio exterior e a desindustrialização prematura da economia brasileira contemporânea
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Ao comparar a trajetória de retrocesso industrial do Brasil com a economia mundial, percebe-se que o caso brasileiro representa uma das desindustrializações prematuras mais graves do mundo. O abrupto retrocesso industrial causou impactos negativos para o desenvolvimento do país no longo prazo, como a contribuição negativa do setor para a renda per capita desde 1980, com uma redução de 58,6% da participação da manufatura no Produto Interno Bruto (PIB). A ideia do trabalho é verificar se a perda de participação da indústria pode ser enquadrada na chamada “doença holandesa”, que é quando a exportação de produtos primários prejudica a industrialização de um país, pois há uma “reprimarização” da pauta de exportações. Para tanto, inicialmente será feito uma análise a fim de explicar o fenômeno da desindustrialização de uma economia, com o objetivo de identificar se a perda de participação da indústria no caso brasileiro pode ser classificada como sendo prematura/negativa. Depois, o estudo analisa os paradigmas da política comercial brasileira, com o propósito de verificar como o país se inseriu no mercado internacional na prática. Por fim, o trabalho reflete acerca dos problemas derivados desse processo e apresenta o enorme descompasso entre o porte da economia brasileira e sua presença no comércio global, justamente levando em consideração a retração da indústria, cujo setor é o que mais agrega tecnologia e inovação. Ao final, apresenta alternativas para que o problema possa ser mitigado.