A subjetividade do trabalhador: um olhar sobre o sujeito e seu trabalho
Loading...
Files
Date
Journal Title
Journal ISSN
Volume Title
Publisher
DOI
Abstract
O presente estudo propõe-se a abordar as implicações da subjetividade na relação do sujeito e
seu trabalho, analisando os diferentes sentidos subjetivos associados à experiência individual
de cada indivíduo. Assim, buscou-se apresentar e analisar os caminhos percorridos pelos
estudos sobre saúde mental e trabalho, que buscam as características do contexto de trabalho
que implicam sofrimento. Em seguida, visou-se verificar que os diversos contextos da vida do
sujeito formam um complexo processo de subjetivação que implicam no posicionamento
diferenciado de cada indivíduo diante da sua realidade, a partir da perspectiva da Teoria da
Subjetividade de González Rey (2002). Sobre os olhos dessa perspectiva, o estudo não fica
apenas na natureza das coisas, mas sim, nos contextos de interação entre o pesquisador, o
sujeito e o ambiente. A singularidade também é valorizada como forma geradora de
inteligibilidade sobre o tema proposto. Para tanto, utilizou-se de um estudo de caso, baseado na
Epistemologia Qualitativa (González Rey, 2005), onde se visou conhecer percepções, idéias,
bem como, buscar a apreensão dos significados das experiências vividas durante o exercício de
suas funções e nas dimensões do trabalho que se apresentam como fatores de sofrimento para o
trabalhador. A análise do relato das entrevistas realizadas juntamente com as respostas dadas
pelo sujeito pesquisado no instrumento aplicado, indicaram o confronto entre os diversos
contextos sociais do sujeito estudado, revelando a existências de três configurações subjetivas
que implicaram em sofrimento: uma ligada as relações sociais no trabalho, outra constituída
pelas expectativas pessoais muito influenciada pelo passado e uma última ligada aos conflitos
entre as demandas familiares e profissionais. Os contextos constituintes das zonas de sentidos
implicados no sofrimento foram a conjugalidade, a maternidade, as diferenças entre os gêneros
e os domínios público e privado, além do próprio ambiente de trabalho. As experiências do
passado e as expectativas que os indivíduos criam ao longo da vida também se destacaram
como núcleos de configurações geradores de conflito na relação homem-trabalho.