A psicologia clínica diante do fundamentalismo religioso cristão
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Abstract
A presente pesquisa teve como objetivo geral investigar como o processo psicoterapêutico pode
contribuir para a desconstrução do fundamentalismo religioso. Foi utilizada uma metodologia
qualitativa de investigação, que envolveu a realização de seis entrevistas individuais
semiestruturadas virtuais com psicólogos/as clínicos/as, acompanhadas da apresentação de
imagens pré-selecionadas. Devido à grave crise sanitária decorrente da pandemia de COVID19, as entrevistas foram realizadas de forma virtual, por meio da plataforma Google Meet,
mantendo o compromisso ético com a segurança e a saúde dos/as participantes e da
pesquisadora. Para a análise de resultados, utilizou-se do método da análise de conteúdo em sua
vertente temática. Assim, após a transcrição das entrevistas realizadas, foram construídas três
categorias analíticas temáticas: (a) O fundamentalismo religioso no cenário social e político
brasileiro atual: diferentes olhares; (b) Sofrimento psíquico associado à relação do sujeito com
a religiosidade: intervenções psicoterapêuticas em discussão; (c) Sofrimento psíquico associado
à relação do sujeito com a religiosidade: exemplos de casos clínicos. Os resultados indicaram
que são frequentes as demandas psicoterápicas associadas ao sofrimento psíquico que perpassa
a relação do indivíduo com a sua religiosidade/espiritualidade. Mesmo assim, a abordagem de
temas relacionados à religiosidade/espiritualidade do cliente, quando divergentes de
posicionamentos pessoais do/a psicoterapeuta, configura-se enquanto um momento de
desconforto para o/a psicólogo/a. Além disso, observa-se um desconhecimento por parte de
psicólogos/as acerca de temas relacionados à religião ou ao fundamentalismo religioso. Assim,
destaca-se a relevância de um maior conhecimento acerca de tais temáticas na formação em
Psicologia para o fortalecimento da prática profissional pautada na responsabilidade social.