Experiência cinematográfica e subjetividade: um estudo histórico-cultural
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Nesta monografia são analisados os significados vinculados à experiência cinematográfica
para alguns sujeitos / participantes e como suas concepções sobre Arte atuam como elementos
significativos na construção da relação destes sujeitos com o cinema e, em alguma medida,
com a sociedade. Para tal, no primeiro capítulo teórico são introduzidos elementos históricos
que caracterizaram o cinema como uma indústria, assim como elementos ideológicos
presentes nos filmes. No segundo capítulo teórico o cinema é analisado em seu caráter
artístico; é realizada também neste capítulo uma introdução sobre o papel do cinema na
formação de identidades na contemporaneidade. No terceiro capítulo teórico são realizados
esclarecimentos de ordem teórico-metodológica, apresentando a Teoria da Subjetividade de
González-Rey, assim como a Lógica da Complexidade de Edgar Morin. Na metodologia são
discutidos os detalhes da coleta de dados e de como são feitas as análises destes; neste
momento é discutida também a Epistemologia Qualitativa de González-Rey como um suporte
teórico para as técnicas utilizadas. A coleta de dados consistiu em uma conversação em grupo
(dois sujeitos e o pesquisador) com dois sujeitos escolhidos por serem representantes de
grupos informais de teatro e de cinema de uma faculdade de Brasília, além de serem
considerados protagonistas sociais; esta entrevista teve a duração de uma hora e trinta e cinco
minutos; foram transcritos apenas os trechos utilizados na discussão do trabalho. A discussão
se baseou na separação e análise de três eixos: concepções sobre arte e cinema dos
participantes, identificação com personagens do cinema e por fim, a relação destes sujeitos
com a indústria cinematográfica e os elementos ideológicos encontrados na relação destes
indivíduos com o cinema. Na análise dos discursos dos sujeitos, percebeu-se que os
significados dados ao cinema se vinculam com diversas áreas de suas vidas, fazendo com que
a experiência cinematográfica possua um enorme teor afetivo para estes indivíduos. Outro
elemento essencial percebido foram as concepções de arte dos sujeitos analisados. Para um
dos sujeitos as artes se constituem como importantes formas de crítica e mudança social. Já
para o outro participante, o que chamou mais atenção foi a liquidez de sua concepção de arte:
para este sujeito, diversos tipos de expressão humana podem ser considerados como arte
(campanhas de publicidade, por exemplo); esta visão parece ser uma forma de legitimar não
apenas sua atuação profissional, mas também todo o mercado da propaganda e da publicidade.
São reveladas, portanto, determinadas formas de funcionamento da nova indústria cultural
brasileira e as diversas repercussões nos discursos dos indivíduos inseridos neste contexto. O
estudo das concepções de arte e cinema dos sujeitos estudados foi, portanto, uma importante
via para a compreensão de suas formas de atuação social.