A onda de encarceramento aliada ao fenômeno das privatizações nos estados unidos da américa: influência no Brasil
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O fenômeno do encarceramento em massa, que se observa nas diversas sociedades
contemporâneas, é tema discutido por uma parcela significativa de autores que denunciam ser
este fenômeno uma resultante do capitalismo globalizado neoliberal, em cujo cenário, o crime
é visto como um produto e o controle do crime visto como um mercado. Associado a esta
ideia, quanto maior for o índice de crimes praticados maior será o lucro. Assim, a indústria do
controle do crime reinventa técnicas para fiscalizar, comandar e punir e se beneficia do
crescimento do encarceramento. Observa-se a diminuição do Estado de bem-estar social e o
crescimento do Estado penal, este adquire novas funções em uma época na qual os postos de
trabalho, cada vez mais, tornam-se escassos e a desigualdade social se agrava. Desta forma,
alguns autores consignam que existe hoje uma criminalização da miséria, já que
constantemente são alvos do sistema de justiça criminal indivíduos pobres, negros e
favelados, cidadãos que não se amoldaram a nova diretriz do capitalismo vigente, qual seja o
consumo. O sistema carcerário adquire função principal de neutralização daquele indivíduo
que não dispõe de capacidade financeira para integrar a nova sociedade consumerista. A partir
desses pontos, a presente pesquisa realiza uma análise crítica do atual Sistema Penitenciário
Brasileiro, bem como faz uma comparação entre o modelo de encarceramento em massa
adotado nos Estados Unidos da América e a implementação ou transposição de objetivos deste
pelo Brasil.