A mulher fibromiálgica: suas dores, suas defesas e seu tratamento no enfoque gestáltico
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Com o acréscimo de pessoas com diagnóstico de fibromialgia e, considerando o fato de ser
uma enfermidade de causa multifatorial, onde não se pode objetivar o que a originou nem,
tampouco, garantir a sua cura. Sabendo que tal enfermidade atinge, na sua grande maioria,
mulheres, correspondendo a um índice de 80 a 90% e, que tal enfermidade, traz grande
prejuízo à qualidade de vida das mesmas, este trabalho se desenvolveu com o objetivo de
descrever e compreender o sofrimento da mulher fibromiálgica, não apenas o físico, mas,
principalmente, o psíquico em decorrência do físico. Por ser uma doença invisível, existe um
grande descrédito por parte das pessoas que convivem com as portadoras da mesma, o que
gera, também, um sofrimento enorme. Desenvolveu-se, então, uma pesquisa qualitativa,
realizada com quatro portadoras de fibromialgia com idades entre 41 e 49 anos, tendo como
base para coleta de dados a entrevista semi-estruturada, com perguntas abertas que González
Rey denomina de conversação espontânea. Para, desta forma, através de uma maior
compreensão analisar, à luz da Gestalt uma nova forma de olhar e uma melhor forma de tratar
as portadoras de tal síndrome no enfoque desta abordagem. Para isso foi apresentada,
primeiramente, a fibromialgia com seus sintomas, diagnóstico, causas e tratamento, na visão
médica. Em seguida, analisou-se o impacto que a dor crônica traz para a vida dos seus
portadores, segundo a proposta de vários especialistas em psicologia. Posteriormente foi
abordado, o que é saúde e doença para a Gestalt-Terapia, as possíveis causas de adoecimento,
a relação terapeuta-cliente, bem como, o processo terapêutico e suas técnicas nessa
abordagem. Diante dos dados levantados com as entrevistas prosseguiu-se a análise do
conteúdo através de categorização por repetição e relevância proposta por Turato para,
finalmente, discutir os resultados verificando a ocorrência, ou não, do que a Gestalt denomina
de mecanismos de interrupção do contato, o que poderia ser uma causa do adoecimento para,
desta forma, propor, como já foi citado, um novo olhar e/ou uma proposta de tratamento
psicoterápico no enfoque gestáltico.