Transtornos psiquiátricos pós lesão cerebral traumática em adultos em programas de reabilitação: revisão sistemática
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OBJETIVO: Analisar as evidências científicas sobre os transtornos psiquiátricos recorrentes em adultos após lesão cerebral traumática inseridos em programas de reabilitação. MÉTODOS: Revisão sistemática realizada entre agosto e novembro de 2025, conduzida conforme as recomendações do Joanna Briggs Institute e reportada segundo o PRISMA. A pergunta norteadora foi estruturada pela estratégia PICO (População: adultos com lesão cerebral traumática; Intervenção/Exposição: inserção e acompanhamento em programas de reabilitação; Comparação: não aplicável; Desfecho: transtornos psiquiátricos recorrentes). Foram incluídos estudos completos publicados nos últimos cinco anos, de acesso livre, em todos os idiomas, abrangendo ensaios clínicos, estudos observacionais e revisões sistemáticas. As buscas foram realizadas nas bases PubMed, Medline e Cochrane Library, com complementação no Google Acadêmico. A seleção e extração dos dados foram conduzidas por dois revisores independentes, com organização dos achados em quadros padronizados e síntese qualitativa integrativa. RESULTADOS E DISCUSSÃO: Doze estudos compuseram a amostra final. As evidências demonstram associação consistente entre lesão cerebral traumática e depressão, ansiedade, apatia, alterações de personalidade, distúrbios do sono, risco suicida aumentado e psicose secundária. Observa-se interdependência entre déficits executivos e sintomas afetivos, bem como sobreposição clínica entre apatia e depressão, dificultando delimitação sindrômica precisa. Intervenções psicológicas adaptadas e abordagens grupais apresentam efeitos pequenos a moderados, porém ainda são escassos ensaios multimodais que integrem cognição, emoção e funcionalidade. Persistem lacunas na padronização diagnóstica, na validação de modelos preditivos de risco suicida e na avaliação longitudinal dos desfechos psiquiátricos. CONCLUSÃO: A reabilitação pós-lesão cerebral traumática requer protocolos prospectivos integrados, triagem interdisciplinar sistemática e padronização de instrumentos diagnósticos. A consolidação de modelos terapêuticos interdisciplinares e multimodais é essencial para qualificar o manejo dos transtornos psiquiátricos recorrentes nesse contexto.