A poética da imagem de Yasujiro Ozu
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Samuel Beckett analisou a obra de Marcel Proust a partir de três pontos: o
tempo, o hábito e a memória. O hábito nos embrutece para que possamos suportar a
dor de uma vida que se sabe finita, a memória recupera o passado de maneira seletiva,
e “na melhor das hipóteses, tudo o que se der no tempo (todo produto do tempo), seja
na arte ou na vida, só poderá ser possuído sucessivamente, por uma série de
anexações parciais e nunca integralmente, de uma só vez” (BECKETT, 2003: 16).
A obra do cineasta Yasujiro Ozu, paralelamente ao trabalho de Proust, também
abordou a noção da atemporalidade. Os espaços descontínuos e autônomos, o vazio e
o silêncio encontrados em seus filmes podem ser considerados situações óticas e
sonoras puras de acordo com a teoria da imagem-tempo formulada por Gilles Deleuze.
A presente monografia apresentará os resultados de um estudo que buscou apontar as
características que levaram Deleuze a afirmar que Ozu foi um dos primeiros a fazer uso
da imagem-tempo na sétima arte.