Câncer de mama e psicologia oncológica: tratamento e ressignificação do existir
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O presente estudo tratou dos aspectos envolvidos com o câncer de mama, suas repercussões
emocionais, existenciais e psicológicas para a mulher que se depara com uma nova e dolorosa
realidade. Procurou-se identificar, nesses aspectos, a importância da atuação do psicólogo
hospitalar no cuidado oncológico, partindo de pesquisas em torno do tema e das discussões
existentes na comunidade científica. O trabalho focou-se em três pontos principais: repercussões
biopsicossociais do câncer de mama (incluindo a mastectomia); a Psicologia Oncológica
e suas possibilidades de intervenção no tratamento; e a importância da análise e interpretação
das narrativas das mulheres com câncer de mama, como fonte de dados essencial para um
tratamento mais humanizado e direcionado para o bem-estar da enferma. A mulher ao se deparar
com toda uma modificação em sua vida, passa por um profundo conflito interno, onde
suas emoções ficam à flor da pele e seu estado psicológico sofre deturpações causadas pelo
medo e fantasias criadas a partir do sentido que a doença possui para a enferma naquele dado
contexto. Assim, a mulher com câncer de mama, em sua fragilidade, necessita da ajuda de um
profissional que a ouça e respeite seus sentimentos e pensamentos, a fim de tornar o tratamento
menos doloroso e invasivo. Dentro do hospital, a mulher vivencia situações invasivas e o
ambiente, nem um pouco acolhedor, não a faz esquecer de sua situação atual. E junto a isso,
somam-se os comportamentos dos profissionais que compõem a equipe de saúde do hospital,
que se tornam extremamente frios e desumanos com seus pacientes cancerosos. Assim, a Psicologia
Oncológica entra na área de saúde como uma área biopsicossocial que visa, em primeiro
lugar, a qualidade de vida desses pacientes, a partir da análise da influência de fatores
psicológicos sobre o desenvolvimento, o tratamento e a reabilitação do câncer, com atenção
especial para as narrativas que emergem do adoecer de câncer. O apoio familiar e do cônjuge
torna-se bastante útil nesse momento, pois fornece um suporte emocional e a certeza de não
estar só, e de ter apoio e incentivo para lutar em busca da cura e de uma melhora em sua qualidade
de vida, e o amor dos familiares torna-se o mais importante motivador para esse engajamento.
O psicólogo junto aos cuidados com pacientes com câncer, torna-se imprescindível
como facilitador da comunicação entre os diversos profissionais, o paciente e a família, a fim
de avaliar em todas as partes envolvidas, os sentimentos, pensamentos, transferências e influ-
ências negativas e positivas que possam ter em relação à doença e ao enfermo. Nesse contexto,
o trabalho do psicólogo torna-se valioso, pois ele será capaz de interpretar as narrativas
destas mulheres e atuar como ponte entre o paciente e a equipe de saúde, fornecendo-lhe,
também, subsídios para uma ressignificação da dor, do adoecer e da própria existência.