Relações de gênero e Burnout: um estudo com professores da 4ª serie do ensino fundamental
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Cada vez mais se torna necessária a compreensão de fenômenos relacionados à saúde
mental do trabalhador. O burnout é um fenômeno que acomete boa parte da população,
principalmente daqueles que trabalham em constante contato com o público em geral.
Os professores, por manterem vínculo afetivo com seus “clientes”, se tornam alvo fácil
dessa síndrome, e, no Brasil, esta tem se mostrado cada vez mais presente na vida dos
mesmos. Caracterizado pela exaustão emocional, despersonalização (cinismo) e baixa
realização profissional, esta síndrome pode culminar na desistência do profissional da
educação, trazendo graves conseqüências não apenas ao trabalhador, mas a todos os
envolvidos no processo de aprendizagem. Sabe-se que a docência é uma profissão
tipicamente feminina visto que as mulheres possuem habilidades naturais que facilitam
o cuidado com os outros, porém, a população de professores tem se tornado cada vez
mais heterogênea neste sentido – mesmo em séries iniciais os homens estão se fazendo
cada vez mais presentes. Por este motivo, fez-se necessário um estudo que abrangesse a
compreensão das diferenças entre homens e mulheres quando estes vivenciam burnout.
Este estudo teve como objetivo fazer essa comparação entre os gêneros levando em
consideração as diferenças dos papéis sociais e a maneira que ambos lidam com o afeto
diante de seus alunos (item de fundamental importância para o processo de ensinoaprendizagem).
Foram utilizados dados referente a 8.096 professores da 4ª série do
Ensino Fundamental, respondentes do Sistema de Avaliação do Ensino Básico do ano
de 2003 realizado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais, órgão
vinculado ao Ministério da Educação. Foi possível constatar que não existem diferenças
estatisticamente significativas entre homens e mulheres no que diz respeito à vivência
de burnout no Brasil entre essa população – confirmando boa parte da literatura
nacional sobre o assunto, porém, indo de encontro a alguns autores da bibliografia
internacional. São sugeridos, ao final do trabalho, estudos mais abrangentes sobre o
assunto, colocando em pauta as diferenças culturais universais (estudos transculturais)
levando em consideração as diferentes regras na aprendizagem do papel social dos
gêneros, bem como a questão do homossexualismo na população docente em relação ao
burnout.