Cuidados paliativos e psicologia: a legitimação da alteridade como promoção da dignidade humana
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O presente trabalho objetiva problematizar a questão da morte no cenário atual. O
avanço tecnológico e científico da biomedicina suscitam questões éticas a respeito da
dignidade humana. A frequente medicalização causa um prolongamento desnecessário do
tempo da morte (distanásia) o que causa grande sofrimento para o indivíduo e sua família. O
sofrimento pode ser tamanho que impede o indivíduo de ter uma vida digna o que justifica o
seu pedido por eutanásia. Como a eutanásia é proibida por lei, criou-se um novo conceito para
definir outra possibilidade para a morte, a ortotanásia. A ortotanásia se refere ao conceito
mais próximo do que se pode chamar de morte digna, pois se fundamenta basicamente em
deixar o curso da morte ocorrer naturalmente sem que os pacientes sejam abandonados. Os
cuidados a estes pacientes são representados pela modalidade de cuidados paliativos que
visam garantir e promover a dignidade humana até os últimos dias, sem no entanto se utilizar
de terapêuticas desnecessárias ou antecipar o momento da morte. Nesse caso, a garantia da
dignidade humana se torna o grande objetivo das práticas em saúde, o que envolve o campo
da bioética que pretende ajudar na solução de tais conflitos éticos suscitados no cuidado com
pacientes terminais. Para a realização deste trabalho foram utilizados documentos de
importância nacional e internacional que se referem à proteção da dignidade humana. Foram
analisados a Declaração Universal dos Direitos Humanos, a Constituição Federal, a
Declaração Universal sobre Bioética e Direitos Humanos, a Declaração sobre a Eutanásia do
Vaticano, o Código de Ética Médica e o Código de Ética do Profissional Psicólogo.
A partir da análise tornou-se possível conceber que os cuidados paliativos para serem
efetivamente cuidados que promovam a dignidade humana, devem necessariamente ser
individualizados, pois dignidade é um construto subjetivo e individual. A participação da
psicologia neste contexto portanto, envolve a legitimação da alteridade.