Obesidade e depressão: uma perspectiva analítico-comportamental
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O presente trabalho pretende apresentar as implicações da obesidade para a depressão e apontar de que maneira o treinamento em habilidades sociais (THS), como intervenção clínica, para o tratamento da depressão, contribui para um melhor prognóstico da obesidade. A obesidade surgiu como uma epidemia, no início do século XX, sendo considerada, hoje, um sério problema de
saúde pública, que atinge a todas as classe socioeconômicas. É uma doença crônica, multifatorial, apontada como fator de risco para diversas patologias graves. Sua caracterização e etiologia têm merecido a atenção de diversas
especialidades, particularmente a psicologia, que tenham uma relação interdisciplinar capaz de abordar as diversas facetas de suas comorbidades e
possibilidades de tratamento. A depressão é um transtorno psiquiátrico de elevada incidência,
classificado pelo DSM-IV como um transtorno de humor. Sua etiologia é, também, multifatorial
e está associada a uma alta mortalidade devido à relação de comorbidade com outras patologias.
Conforme a literatura, o indivíduo obeso apresenta aspectos emocionais e psicológicos, dentre estes a depressão, e, apesar de não haver consenso, alguns autores consideram a obesidade como causa dos transtornos emocionais, enquanto outros a consideram conseqüência desses problemas.
Diante disso, ao abordar a relação entre obesidade e depressão, sob o enfoque da Terapia
Analítico-Comportamental, pretende-se observar, as contingências e o repertório social que envolvem essa comorbidade, em virtude das características comportamentais que são comuns à depressão e à obesidade, como por exemplo, o isolamento, a solidão e as relações sociais e afetivas empobrecidas, que interferem e prejudicam a obtenção de reforçadores sociais. Por meio do THS, busca-se enriquecer e adequar o repertório social deficitário, além de modificar a relação comportamental da comorbidade. Segundo a literatura, por meio da modelação e do enfrentamento, ambas técnicas do THS, é possível promover a mudança dos comportamentos inadequados, relacionados ao isolamento e à solidão, bem como, ampliar o repertório comportamental tornando-o eficiente para a obtenção de reforçadores sociais. É, também,
possível observar a interrupção do ciclo vicioso gerado pelas contingências apontadas e uma
maior habilidade em manter relações sociais e afetivas reforçadoras. Dessa forma, a diminuição
de reforçadores sociais é um aspecto relevante e comum à obesidade e à depressão e o THS,
como técnica de intervenção clínica, tem se mostrado eficaz e eficiente no tratamento da relação
comportamental dessas patologias, na medida em que, tornando os indivíduos obesos socialmente
mais habilidosos favorece o prognóstico da obesidade e promove uma melhor qualidade de vida,
em detrimento da depressão.
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Citation
PINTO, Daliane Muniz. Obesidade e depressão: uma perspectiva analítico-comportamental. 2007. 54 f. Monografia (Graduação em Psicologia) – Faculdade de Ciências da Educação e Saúde, Centro Universitário de Brasília, Brasília, 2007.