Novas configurações e conflitos conjugais na pós-modernidade
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Por meio de uma revisão histórica e sociológica e de reflexão teórica acerca da família e do
casamento, observou-se que essas configurações sofreram transformações influenciadas por
aspectos econômicos, sociais e culturais. Para ampliar a percepção destas questões fez-se
necessário recorrer a estudos desenvolvidos por autores clássicos. Assim, este trabalho tem
por objetivo discutir quais são os possíveis aspectos influenciadores e contribuintes para a
produção de conflitos nos casais contemporâneos. Para tanto, foram analisados estudos
desenvolvidos sobre as relações de gênero e o impacto do capitalismo sobre o movimento
feminista, a produção de discursos sobre a família e o casamento permeados por aspectos
sócio-histórico-culturais, bem como a emergência do individualismo inerente da pósmodernidade.
Discorre ainda, acerca das perspectivas de práticas psicoterápicas diante do
número crescente de divórcios e dos conflitos oriundos das novas configurações familiares.
Outro aspecto importante refere-se à emergência de haver uma revisão metodológica e uma
flexibilização das práticas clínicas junto a casais. Além disto, faz-se necessário também, haver
uma análise minuciosa acerca das práticas discursivas produzidas nas famílias de origem
destes casais que, na medida em que, a maioria deles possui um baixo nível de diferenciação.
A partir desta análise, pôde-se perceber que a família, o casamento, homens e mulheres em
suas relações afetivas e conjugais foram diretamente afetados por transformações sociais
estabelecendo-se novas e conflituosas configurações. Diante de uma realidade cultural
considerada pós-moderna pautada na fragmentação, na descontinuidade, na efemeridade, na
competitividade, na individualidade e na ausência de parâmetros homogêneos, coerentes e
estáveis, estas circunstâncias repercutem diretamente na legitimação de um sujeito plural e
mutável. É justamente esta dificuldade do sujeito adaptar-se como mutante e vulnerável, um
aspecto primordialmente considerado como causador de inconstância e sofrimento. Aspectos
estes, responsáveis pelas “crises” enfrentadas pelas relações conjugais e familiares o que
justifica um número elevado de casais ou de descasados quem têm buscado auxílio
psicoterápico. Estas reflexões permitiram uma percepção mais flexível quanto aos vários
modelos de família e de relações conjugais não mais exclusivamente ancorados num modelo
patriarcal. Apesar de ainda haver discursos pautados na modernidade, têm-se na
contemporaneidade práticas discursivas coerentes com as novas formas de relação, do novo
sujeito e da própria visão de mundo.