Subjetividade e doenças crônicas: os desafios da emergência do sujeito
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Esta monografia apresenta como tema o processo saúde-doença na organização da
configuração subjetiva e da representação social das doenças crônicas. E tem como problema
de pesquisa os sentidos subjetivos e as representações sociais configurados no câncer e na
hipertensão. Mas, para compreendê-los, expõe-se o objetivo geral de analisar os processos
subjetivos de indivíduos portadores de doenças crônicas. O presente trabalho fundamenta-se
na Teoria da Subjetividade desenvolvida por González Rey e suas principais categorias:
subjetividade, subjetividade social, subjetividade individual, sujeito, sentido subjetivo e
configuração subjetiva. Assim como na Teoria das Representações Sociais articulada com a
Teoria da Subjetividade. Em seguida, discursa-se a respeito da saúde, através de uma reflexão
crítica sobre o positivismo e o modelo biomédico reducionista da doença, que enxerga uma
relação linear de causa direta e efeito sintomático. Ao contrário dessa perspectiva, neste
trabalho defende-se a noção de doença como um processo complexo que se organiza
subjetivamente e propõe-se um olhar mais amplo sobre a saúde como um sistema de
configuração multidimensional articulada com a subjetividade. A metodologia empregada
nesta pesquisa baseia-se na Epistemologia Qualitativa desenvolvida por González Rey, em
que se sustenta o conhecimento como uma produção construtiva-interpretativa, de caráter
interativo e legitimado pela qualidade da expressão única do indivíduo. Essa proposta
epistemológica permite novas zonas de sentido, possibilitando a construção de informações ao
longo do processo de comunicação nesta pesquisa. Na construção de informação pretende-se
dar visibilidade à maneira como se constituem as configurações subjetivas das doenças, por
meio de três estudos de casos: um sujeito com câncer e dois sujeitos com hipertensão. Nela,
enfatiza-se a emergência do sujeito ativo na ressignificação do adoecimento, identificam-se
alguns indicadores dos sentidos subjetivos organizados nas diferentes configurações
subjetivas das doenças crônicas nos participantes desta pesquisa, os quais tiveram
posicionamentos diferentes frente à doença, e vê-se a forma como esta é associada nas
representações sociais. Por fim, realizam-se algumas considerações sobre os casos
interpretados, em que se pode observar a singularidade do processo saúde-doença na história
de vida de cada sujeito. Portanto, não se pretende chegar a resultados universalizantes, mas,
sim, quer-se abrir novas zonas de inteligibilidade acerca da saúde, campo este que engloba a
subjetividade e as representações sociais nela permeada.