As configurações do gênero na subjetividade: um olhar sócio-histórico sobre os papéis sexuais
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O presente trabalho tem como objetivo investigar como se dão as configurações das
identidades de gênero na subjetividade individual e social, como as diversas visões sobre a
sexualidade são disseminadas em diversas culturas e momentos históricos distintos, e qual é o
impacto direto e indireto dessas idéias no cotidiano do sujeito comum, inserido no tecido
social. O estudo é feito por meio da revisão bibliográfica de alguns autores que discorrem
sobre o tema do gênero presente em áreas distintas do saber, mas com enfoque na área das
ciências humanas, especialmente da psicologia. Inicialmente, há uma análise dos papéis
sexuais na cultura – entendida como produto e expressão máxima das atividades do sujeito.
São abordados aspectos que transitam desde uma visão “naturalista” ou “naturalizante” até as
visões pós-estruturalistas de alguns autores, dentre os quais destacamos os estudos de Michel
Foucault e Judith Butler sobre a sexualidade e o gênero. Em um segundo momento, foram
abordados breves relatos sobre as questões de gênero que, didaticamente, foram situados em
pelo menos uma das organizações sociais representantes da mídia, da religião, da saúde
pública e do poder estatal. Para a discussão das questões de gênero foi utilizada como base
epistemológica principal a psicologia sócio-histórica, e de modo especial a teoria da
subjetividade, do psicólogo e doutor Fernando González Rey. O estudo fala do cotidiano
prosaico das pessoas, em diversos momentos e, embora seja um ensaio teórico, não tem por
objetivo o aprofundamento de uma única questão, mas uma discussão mais ampla sobre
questões pontuais nas quais o gênero acaba sendo, senão o ponto principal, um grande
balizador das relações humanas. Os resultados finais não têm a pretensão de serem
“conclusivos”, mas são um convite ao debate e à partilha de outras idéias e outros pontos de
vista, sem o objetivo de estabelecer verdades absolutas.