Refugiados no Brasil: dificuldades de inserção social e a desorganização mental
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Esta monografia destina-se a investigar a real situação dos refugiados acolhidos no
Brasil. Relata as conseqüentes e principais desordens mentais desenvolvidas devido a falha
assistencial estatal existente e a precariedade na efetivação do uso do aparato institucional do
Estado. Designa-se a mostrar como é estabelecida a relação Estado/Indivíduo, acentuando a
atuação da sociedade civil e suas diferentes formas de representatividade, principal
intermediadora no contexto. Para tal, o projeto utiliza a teoria da interdependência complexa
que corrobora a influência dos atores que se configuram neste cenário, como instituições
nacionais e internacionais, além do estabelecimento de programas de parceria que estreitam os
laços entre os refugiados recebidos pelo governo e a sociedade civil de uma forma geral.
Procura ainda mostrar os principais documentos internacionais ratificados pelo Brasil,
desde a incorporação da temática ao seu ordenamento jurídico interno, por meio da Lei
Federal nº 9.474/1997, específica ao grupo, até como essa rede vem sendo efetivamente
utilizada. Estabelece uma problematização acerca do processo de socialização dos refugiados,
a estruturação de novos vínculos, personalidade, identidade e comportamento em ambientes
coletivos. Utiliza para tal estudo o “Manual de Saúde Mental dos Refugiados”,
disponibilizado pelo ACNUR, Alto Comissariado das Nações Unidas, e a uma tese de
doutorado que narra situações em um ambiente psiquiátrico composto somente por
imigrantes.
Relata também o processo de refúgio no Brasil e a atuação do CONARE, Comitê
Nacional para Refugiados, tomando como foco as questões de saúde mental. Mostra a atuação
da Igreja Católica, representada pela instituição Cáritas Arquidiocesana, além de frisar o
importante papel que desempenhou quando originou as primeiras parcerias entre diversos
órgãos públicos e privados. Fala sobre todo o aparto institucional que constitui essa grande
rede interconectada, mas conclui-se por meio de falhas e pouco suporte efetivo ao grupo de
excluídos. Dessa maneira, procura apenas discutir as possibilidades de aperfeiçoamento
existentes hoje dentre as perspectivas de melhoras da sociedade civil e dos próprios
refugiados.