Violência doméstica: o que a realidade ensina?
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Abstract
Este trabalho investigou padrões teóricos referidos sobre as variáveis da violência doméstica
contra a mulher, a partir da realidade no Distrito Federal. Por meio de 1.921 boletins de
ocorrência, colhidos na DEAM, ao longo do ano de 2013, pelo PROVID, foi possível
identificarmos as seguintes variáveis: idade, sexo, armas, drogas, dependência financeira,
transgeracionalidade e saúde mental, de modo a confrontar teoria e prática sobre a violência
doméstica. A comparação entre o que ensinam os autores e o que os dados mostram
possibilitou a constatação de que a violência contra a mulher ocorre durante toda sua vida,
principalmente, em sua residência, que, por ser um local privado, acaba por manter a mulher
isolada em sua situação de sofrimento. A pesquisa evidenciou que o álcool é, de fato, um fator
de risco associado à violência doméstica, uma vez que aparece em pelo menos um quarto dos
registros, como droga utilizada pelo agressor. No entanto, este número pode ser ainda maior,
tendo em vista que na maior parte dos boletins de ocorrência, nada foi mencionado a respeito
da variável “drogas”. O número de boletins que contém informação sobre esta variável ainda
é menor ao investigar o uso de drogas por parte da vítima, visto que em 87% dos casos a
vítima não relatou se faz uso de alguma droga. A pesquisa chama atenção também para a
transgeracionalidade, que é o risco de perpetuar ou aceitar comportamento agressivo dentro
de um relacionamento que a criança corre ao presenciar episódios de violência doméstica
entre o casal. Os boletins analisados indicam que um quarto das crianças presenciam violência
entre os pais, ou seja, em 25% dos casos as crianças vivenciam a violência de maneira
indireta, o que pode comprometer seu desenvolvimento. Dessa forma, fica evidente que a
violência atinge não só a vítima que sofre a agressão, como todos os envolvidos, podendo
desenvolver sintomas relacionados a tentativas de suicídio, depressão, ansiedade, distúrbios
de sono, abuso de drogas, entre outras. O trabalho confirmou a complexidade da violência
doméstica, sinalizando que é essencial investigar melhor essas variáveis para que se aprimore
a Política Pública no Distrito Federal, de forma que se possa atingir a superação dessa
manifestação endêmica da cultura brasileira, que leva o Brasil a se colocar entre os 10
primeiros países no mundo em agressão contra as mulheres. A Psicologia tem importante
papel nesse desafio e o primeiro deles certamente é aprender com a realidade o que precisa ser
aprimorado em sua atuação de enfrentamento.