O discurso do negacionismo científico na realidade brasileira: uma leitura psicanalítica acerca da relação entre sujeito e ciência na contemporaneidade
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A pesquisa aqui apresentada teve como objetivo investigar o discurso do negacionismo científico na realidade brasileira contemporânea. Buscou-se compreender a relação do sujeito do inconsciente com a ciência e a realidade em um contexto marcado pela negação da ciência, observando as implicações subjetivas do discurso negacionista. Para a realização do trabalho foi utilizada a Análise do Discurso em articulação com o referencial teórico da Psicanálise, tomando como eixo central a relação do sujeito com a realidade a partir da concepção psicanalítica do desejo, as contribuições da Psicologia das Massas e Análise do Eu (FREUD, 1921/2011) para a investigação dos afetos envolvidos no movimento político que reverbera o discurso negacionista, bem como o conceito de supereu para compreensão dos modos de satisfação presentes na negação da ciência. O material de análise foi selecionado a partir de publicações de documentos de domínio público disponíveis na internet e foi composto pelos seguintes tipos de texto: notícias e reportagens publicadas por meios de comunicação tradicional (revistas e portais de notícias); publicações de agentes políticos em redes sociais e documentos de campanha. Ao longo do trabalho foi possível articular o conceito de pós-verdade apresentado por Dunker (2017) ao discurso negacionista, observando as implicações subjetivas ali presentes; analisar como o papel de liderança do atual presidente da República influi na concepção de Ideal do Eu, e, consequentemente, a forma com que o negacionismo repercute nos indivíduos da massa; compreender a negação da ciência como negação da própria realidade, e, dessa maneira, pensar a negação da ciência como uma espécie de regressão do sujeito ao Eude-prazer.