Perfil do consumo alimentar de crianças de 0 a 4 anos portadoras de atrofia muscular espinhal tipos I e II
Loading...
Date
Journal Title
Journal ISSN
Volume Title
Publisher
DOI
Abstract
Introdução: A Atrofia Muscular Espinhal (AME) é uma doença neurodegenerativa
autossômica recessiva causada pela alteração do gene SMN1 causando atrofia
muscular, simétrica, proximal e progressiva. O tratamento multiprofissional é essencial
para o retardo da progressão da doença e melhoria da qualidade de vida dos
acometidos. Nesses casos, a Nutrição está presente na conservação do estado
nutricional por meio de terapias nutricionais específicas (por via oral, enteral e
parenteral), acompanhamento nutricional e acompanhamento de desenvolvimento
infantil. Objetivo: Analisar o perfil alimentar de crianças portadoras de Atrofia
Muscular Espinhal. Metodologia: O presente estudo tratou-se de uma pesquisa
observacional descritiva realizada com crianças de 0 a 4 anos portadoras de Atrofia
Muscular Espinhal tipos I e II, visando a análise da forma de alimentação das mesmas.
Os dados foram fornecidos por formulário via Google Forms preenchido pelos
pais/responsáveis das crianças. Resultados: A amostra foi composta por 13 crianças,
entre elas, 38,46% (n=5) eram meninas com média de 27,4 ± 8,35 meses de idade e
66,6% (n=8) meninos com média de 20,5 ± 12,87 meses de idade. Entre eles, 84,6%
(n=11) eram portadores de AME tipo I e 15,4% (n=2) de AME tipo II. Quanto ao IMC,
notou-se uma média de 15,66 ± 1,52 kg/m² nas meninas e uma média de 14,71 ± 0,74
kg/m² nos meninos. Em questão de cuidados nutricionais da criança, nas meninas
60% (n=3) da alimentação era de responsabilidade dos pais e 40% (n=2) do
nutricionista. Nos meninos, 50% (n=4) era de responsabilidade dos pais, 25% (n=2)
do nutricionista e 25% (n=2) de outros profissionais da área da saúde. A via alimentar
predominante no dia-a-dia das meninas era 60% (n=3) via enteral por gastrostomia e
40% (n=2) via oral e dos meninos 62,5% (n=5) via enteral por gastrostomia e 37,5%
(n=3) via oral. Como vias secundárias, 20% das meninas (n=1) relataram utilizar via
oral, 60% (n=3) não utilizam nenhuma outra via e 20% (n=1) não relataram. Dos
meninos, 25% (n=3) faziam uso da via oral e 75% (n=5) não utilizavam outras vias.
Em relação à suplementação alimentar e/ou de vitaminas, 100% da amostra relataram
fazer uso. Em questão de amamentação, as meninas foram amamentadas em média
até 5 ± 3,87 meses e os meninos em média 4 ± 2,94 meses, sendo de forma exclusiva,
média 4,5 ± 2,16 meses no que se refere às meninas e 4 ± 1 meses aos meninos. No
que tange a dificuldade de sucção das mamas, 80% (n=4) do público feminino
relataram sentir dificuldade e 20% (n=1) não sentiam. Em contrapartida, 50% (n=4)
dos meninos sentiam dificuldade e 50% (n=4) não sentiam. Sobre engasgos ou
dificuldade ao engolir, foi identificado que 80% (n=4) das meninas não apresentavam
problemas e 20% (n=1) possuíam. Em relação aos meninos, 62,5% (n=5) não
portavam engasgos e 37,5% (n=3) apresentavam. Conclusão: Em suma, o perfil
nutricional da amostra baseou-se em via enteral por gastrostomia e via oral de
consistências variadas, além de em alguns casos possuir vias complementares de
alimentação. Por fim, é irrefutável a importância do papel do nutricionista no
tratamento dessas crianças, visto que o não acompanhamento pode resultar em uma
descompensação do estado nutricional e dificuldades do crescimento e
desenvolvimento das mesmas.