Perfil epidemiológico dos pacientes com complicações gastrointestinais após cirurgias cardiovasculares em um hospital da rede privada do Distrito Federal (DF)
Loading...
Files
Date
Journal Title
Journal ISSN
Volume Title
Publisher
DOI
Abstract
As doenças cardiovasculares apresentam frequência elevada, o que resulta, muitas vezes, na
realização de procedimentos corretivos passíveis de complicações no pós-operatório, como
as complicações gastrointestinais, que apesar de menos frequentes, são responsáveis por
alta mortalidade, e sua detecção precoce se torna mandatória para recuperação favorável.
Assim, o objetivo foi analisar o perfil epidemiológico dos pacientes com complicações
gastrointestinais no pós-operatório de cirurgias cardiovasculares no Hospital Daher, bem
como descrever a frequência de parâmetros relacionados, como dados sociodemográficos,
uso de Circulação extracorpórea, dias de internação, manejo e desfecho dos quadros. Para
isso, foi realizada pesquisa descritiva, observacional, retrospectiva e transversal, do tipo série
de casos, por meio da análise dos prontuários do sistema de informação SoulMV no período
de 2018 a 2022, e os dados foram analisados estatisticamente através do software Epi Info
7.25. Por amostragem, 242 pacientes foram submetidos a procedimentos cardiovasculares,
sendo a angioplastia e a revascularização do miocárdio as mais realizadas, com 88,42% e
6,61%, respectivamente. Diante disso, 7 pacientes evoluíram com complicações
gastrointestinais, representando 2,8% da amostra. Em relação ao pré operatório, 42,86%
apresentavam-se entre 60 e 69 anos, sendo o sexo masculino mais afetado, com 57,14% dos
casos. Além disso, 57,1% dos pacientes eram tabagistas, e 42,86% apresentaram IMC
adequado. Em relação às comorbidades prévias, a Hipertensão Arterial Sistêmica e Diabetes
Mellitus ocuparam local de destaque, apresentando frequências de 71,42% e 42,86%. Diante
disso, os anti-hipertensivos, foram os principais medicamentos utilizados previamente,
representando 71,42%, seguido pelos psicotrópicos (42,85%). Já no tangente ao suporte no
intraoperatório, 28,57% dos pacientes foram submetidos a CEC, e o mesmo percentual já
realizava uso de drogas vasopressoras no período anterior à cirurgia. Além disso, 42,86%
apresentaram as complicações menores, sendo a diarreia a mais comum, descrita em 28,57%
dos pacientes. A hemorragia digestiva foi observada em 28,57% dos pacientes, sendo
traduzida em melena e hematêmese, e demandando a realização de EDA. Em adição,
colecistite foi verificada em 14,29%, sendo realizada ultrassonografia com achados
característicos. O íleo paralítico, também foi observado com frequência de 14,29%,
apresentando distensão abdominal e achados tomográficos, e demandando nova
intervenção cirúrgica. Em relação ao tempo transcorrido desde o procedimento até o
surgimento de sintomas, foi encontrada igual frequência para os períodos de 0 a 4 dias, e de
5 a 9 dias, com valor de 42,86% para ambas. Já no pós operatório, foram utilizadas ventilação
mecânica e drogas vasoativas em 42,86%, e 42,86% apresentaram insuficiência renal
concomitante às complicações gastrointestinais. Por fim, 28,57% foram a óbito. Diante dos
resultados, verifica-se que, apesar de ser uma complicação pouco usual, está relacionada
com desfechos negativos, que impactam na mortalidade e na qualidade de vida dos
pacientes. Assim, a análise do perfil desses pacientes permite a elaboração de hipóteses para
estudos futuros que estabeleçam relação de risco entre os fatores pré, intra e pós
operatórios com acometimento gastrointestinal, viabilizando medidas precoces e
direcionadas no manejo dessas complicações.