A transformação digital do judiciário e o tratamento adequado de conflitos: barreiras tecnológicas ao acesso à justiça por populações vulneráveis
Loading...
Date
Authors
Journal Title
Journal ISSN
Volume Title
Publisher
DOI
Abstract
A ausência de energia elétrica, de água potável, de alimentos e o aumento do
desemprego é uma realidade de muitos, mas a principal preocupação do Judiciário
atual é o desenvolvimento de plataformas tecnológicas ou a utilização de inteligência
artificial para o julgamento de processo. Com essa máxima é que o presente trabalho
se desenvolve. Em um país de dimensões continentais, com uma grande diversidade
populacional, é nesse cenário que a tecnologia vem sendo aplicada às mais variadas
atividades comuns do cotidiano das pessoas. Já não se imagina pensar na vida das
pessoas, sem que os recursos tecnológicos estejam presentes. Esses avanços
também são observados na atividade do Poder Judiciário. A promulgação do Código
de Processo Civil de 2015 e a inserção entre suas disposições sobre a função do
Conselho Nacional de Justiça de promover a incorporação progressiva dos avanços
tecnológicos ao Poder Judiciário, os últimos anos foram de muitas inovações sobre
essa temática. Aquilo que para alguns é considerado como de grande importância por
democratizar o acesso à composição adequada de conflitos e estreitar os obstáculos
que existiam de acesso à justiça, para outros, essa realidade ainda não foi superada.
O analfabetismo, a baixa renda de parcela da população, a ausência de acesso a
recursos tecnológicos, as vulnerabilidades presentes na sociedade que impossibilitam
a sua totalidade de ter habilidade de manuseio de tecnologia, amplia a exclusão digital
e, por consequência, a social. Com um debate dialético, utilizando a metodologia
empírica, a pesquisa qualitativa e o método hipotético-dedutivo, observou-se que falta
ao Poder Judiciário medidas efetivas nas Políticas Judiciárias para superação dos
obstáculos a uma composição adequada do conflito, o que, em muitas hipóteses,
acaba perpetuando a continuidade da controvérsia. Com um olhar sobre o Conselho
Nacional de Justiça e sobre os 27 Tribunais de Justiça, buscou-se analisar quais as
principais características de cada um, seus principais problemas enfrentados e, com
isso, indicou-se soluções que se entendeu como mais adequadas. Analisando os
tribunais online sob o viés do pensamento de Richard Susskind, Dierle Nunes e Julio
Azevedo, percebeu-se que o que se pretende, na atualidade, é defender que a
tecnologia tem sido a responsável por superar a crise do sistema, mas em verdade, o
que está ocorrendo é a propagação de um pensamento ideológico, com o intuito de
permitir que os avanços continuem e haja uma maior preocupação com quantidade
em detrimento de qualidade no julgamento dos processos. O soneto central do
trabalho é a ausência de uma governança digital efetiva que se preocupe com os
vulneráveis tecnológicos. A ausência de uniformidade de sistemas processuais, os
numerosos aplicativos de videoconferência, o analfabetismo digital, a pouca
acessibilidade tecnológica, a diversidade cultural da sociedade e a implementação de
políticas judiciárias sem uma real preocupação com a totalidade da população, não
têm permitido que haja uma real solução efetiva aos conflitos instaurados.
Description
Citation
GOMES, Marcelo Sant`Anna Vieira. A transformação digital do judiciário e o tratamento adequado de conflitos: barreiras tecnológicas ao acesso à justiça por populações vulneráveis. 2026. Tese (Doutorado em Direito) – Centro Universitário de Brasília, Brasília, 2026.