Por uma reflexão da formação em psicologia: a produtividade da graduação improdutiva
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Este trabalho apresenta como tema o processo histórico da profissionalização do psicólogo
brasileiro no final da década de 60 e como o pensamento reformista dos educadores e
intelectuais que nortearam a validação desse campo estava embasado pela Teoria do Capital
Humano, desenvolvida pelo norte-americano Theodore Shultz. A Teoria da Subjetividade
elaborada por Gonzalez Rey foi o espaço de diálogo teórico que auxiliou no tecido desse
trabalho, por proporcionar um pensamento ativo, contraditório e que não procura esgotar o
tema, mas sim levantar categorias para a reflexão. Assim, o objetivo do trabalho é
compreender como que as concepções ideológicas da Teoria do Capital Humano, de certa
forma, ainda configuram nos alunos de psicologia sentidos subjetivos para uma educação
sem sujeito, sem emocionalidade. Centrando-se, portanto, apenas na aquisição de técnicas e
procedimentos enviesados para uma prática profissional engessada, um modelo, sem gerar
sentido subjetivo para aquilo que se aprende. Algumas das conseqüências de um ensino
sem a produção de sentido subjetivo pelo aluno seriam as reproduções dos conteúdos
escolares e teóricos, uma aprendizagem formal, memorística, um procedimento dedutivo
em relação aos problemas sociais e um descompromisso com a realidade social do Brasil,
por exemplo. Esclarecemos que o aprendizado do discente do ensino superior não se limita
apenas a escola, pois o que se aprende gera reflexões para toda a dinâmica complexa da
vida de cada um. Portanto, a escola ao favorecer um ensino reprodutor e bancária, focado
apenas na formação profissionalizante, contribui para que o modo de vida de cada pessoa
também perpasse essas características maquínicas. Assim, recorremos a Pesquisa
Epistemológica Qualitativa como instrumento construtor de reflexões durante a caminhada
da pesquisa. A pesquisa foi realizada com alunos do 8º semestre do curso de Psicologia, de
uma Instituição de Ensino Particular de Brasília. Foram entregues dois estudos de casos e
os alunos abordariam os procedimentos como se já estivessem atuando como profissional
da área psicologia. A preocupação durante a pesquisa era de que o instrumento favorecesse
a expressão do sujeito em relação a sua formação profissional, bem como a forma que eles
construíam as reflexões utilizando as concepções teóricas e práticas aprendidas no curso de
Psicologia. Portanto, esse trabalho convida todos os agentes escolares que compõem os
cursos de psicologia para refletirem sobre o processo de ensino-aprendizagem e o que eles
estão produzindo para a sociedade e para o mercado de trabalho.