Onde está o pai nosso? Subjetivação e religiosidade
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A constituição da subjetividade passa por dois processos significativos: a formação
do eu ideal (vinculada ao estádio do espelho) e a do ideal do eu (relacionada ao
complexo de castração). Tanto Freud quanto Lacan preocuparam-se fortemente com
a formação do eu. O que diferencia este último é o avanço que faz no que tange à
função do Nome-do-Pai. Um atravessar teórico, mas com consequências
grandiosas. A função paterna está estritamente relacionada à vivência religiosa. Em
Freud, Deus é o Pai elevado às alturas. Em Lacan, Deus é Real. E se Freud procura
salvar o Pai, Lacan, especialmente após sua expulsão da relação de analistas
didatas da Sociedade Francesa de Psicanálise, destitui-o de sua função simbólica.
No que tange à religião, Freud previu o seu fim na medida do avanço da ciência.
Lacan, por sua vez, previu o seu triunfo. Este estudo tem por objetivo delinear esses
processos e suas construções, a saber, a formação da subjetividade e a vivência
religiosa, a partir da incidência da função e do Nome do Pai, com base nas teorias
de Freud e Lacan, bem como verificar como eles operam na atualidade. Conclui-se
que, na sociedade contemporânea, a lógica da subjetivação é organizada
perversamente pelo discurso capitalista e o mal-estar, no que tange à religiosidade,
é vivenciado pelo fundamentalismo religioso. Este, aliás, é estritamente adequado
ao imperativo categórico daquele (compre e goze).