ISSN: 2965-7121
Editorial
A Revista de acadêmicos e egressos da Medicina - RAMED é um periódico científico na área médica com objetivo de difundir e fomentar a iniciação científica pautada na melhor evidência, seguindo critérios internacionais de pesquisa realizado por alunos e egressos do curso de medicina orientado por seus professores. Neste espaço divulgamos os trabalhos acadêmicos de interesse da RAMED nos eixos temáticos de acordo com projeto pedagógico do curso de medicina do CEUB. O leitor tem a possibilidade de consultar no Repositório Institucional do CEUB o material completo do trabalho desenvolvido.
Periodicidade
SemestralEditores Acadêmicos
Dr. PhD Neulânio Francisco de OliveiraDr. PhD João de Sousa Pinheiro Barbosa
Equipe técnica de avaliação científica
Allan Euripedes Rezende NapoliAdemar Schultz Júnior
Alexandre Sampaio Rodrigues Pereira
Atena Oliveira Zatarin
Carmen Déa Ribeiro de Paula
Clara Greidinger Campos Fernandes
Fabiana Pilotto Muniz Costa Leal
Fabiana Xavier Cartaxo Salgado
Gerson Fernando Mendes Pereira
Hellen Crystine Vieira Branquinho
João de Sousa Pinheiro Barbosa
Larissa dos Santos Sad Pereira
Miriam Martins Leal
Phaedra Castro Oliveira
Ranieri Rodrigues de Oliveira
Renata Facco de Bortoli
Sabrina Feitosa Faria
Sandra Lúcia Branco Mendes Coutinho
Equipe técnico-científica
Ciro Brasil CamposMaria Beatriz Cardoso Cezar
Maria Eduarda Borges Holanda
Pedro Faria Ruelli
Endereço e contatos
Centro Universitário de Brasília
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Apendicite aguda: antibióticoterapia ou apendicectomia?: revisão das indicações atuais
Autores: Giovana Messias de Lima Martins, Raíssa Gontijo Jales. Isadora Mendes Fernanades, Vitória Tokarsky Bley e Maria Vitória Yuka Messias Nakata
Resumo
A apendicite aguda é uma das principais causas de abdome agudo cirúrgico no mundo, sendo a indicação mais frequente de cirurgia abdominal de urgência. Tradicionalmente, o tratamento padrão é a apendicectomia, devido à sua alta taxa de resolução. No entanto, evidências recentes têm demonstrado que a antibioticoterapia pode ser uma alternativa segura em casos selecionados de apendicite não complicada, o que tem gerado questionamentos sobre a melhor estratégia terapêutica.
Palavras-chave: Apendicectomia; Apendicite aguda; Tratamento não-operatório.
Abordagem multiprofissional em feridas operatórias: revisão dos principais aspectos assistenciais
Autores: Lídia Ester Lopes da Silva, Anne de Souza Muniz e Ágata Costa Coelho Batista
Resumo
As feridas operatórias (FOs) constituem lesões decorrentes de intervenções cirúrgicas, caracterizadas pela ruptura da integridade da pele e dos tecidos adjacentes. Retratam importante causa de morbidade no pós operatório, estando associadas a complicações que podem aumentar o tempo de internação e os custos em saúde. O processo de cicatrização é complexo e envolve fases interdependentes inflamação, proliferação e remodelação sendo influenciado por fatores locais e sistêmicos do paciente. Neste cenário, o manejo adequado das FOs demanda abordagem integrada, envolvendo diferentes profissionais de saúde.
Palavras-chave: Assistência pós-operatória; Cicatrização; Equipe multiprofissional; Ferida cirúrgica.
Artroplastia da articulação trapézio-metacarpal no tratamento da rizartrose: análise dos princípios e fundamentos operatórios
Autores: Pedro Faria Ruelli, Carolina Ponchio Ferreira, João Antônio Moreira e Silva, Mariana Souza Diniz Santos e Lucas Barbosa Nonato
Resumo
A rizartrose, ou osteoartrite da articulação trapézio-metacarpal (TM), e a artrose mais prevalente da mão, acometendo predominantemente mulheres após a quinta década de vida e constituindo importante causa de dor e incapacidade funcional. O espectro de tratamentos cirúrgicos inclui a artroplastia total da articulação TM, com implantes de pirólise de carbono, silicone ou componentes metálicos, e a suspensoplastia, que associa trapezectomia a reconstrução ligamentar com o flexor radial do carpo (FCR) ou outras estruturas tendíneas. A escolha entre essas abordagens envolve considerações técnicas, funcionais e econômicas que ainda carecem de consenso definitivo na literatura.
Palavras-chave:Rizartrose; Artroplastia trapézio-metacarpal; Osteoartrite da mão; Suspensoplastia.
Avanços nas abordagens cirúrgicas e estratégias de reconstrução na hérnia diafragmática congênita: revisão narrativa
Autores: Lucas Rezende de Alencar e Manoel Eugênio dos Santos Modelli
Resumo
Analisar as evidências científicas mais recentes sobre as técnicas cirúrgicas para correção de HDC, comparando a eficácia e a segurança da cirurgia minimamente invasiva em relação à via aberta tradicional, além de avaliar o desempenho clínico de diferentes materiais de prótese e inovações em técnicas de sutura.
Palavras-chave: Cirurgia pediátrica; Hérnia diafragmática congênita; Procedimentos cirúrgicos minimamente invasivos; Próteses cirúrgicas; Recidiva.
Cicatrização em extremidades sob estresse metabólico: diabetes na cirurgia da mão
Autores: Larissa Maciel Lima, Carolina Nunes Torres, Júlia Feitosa Araújo de Carvalho, Isadora Tonhá Moreira Isidro, Luíza Figuerêdo de Oliveira Freitas e Dr. Manoel Eugênio dos Santos Modelli
Resumo
O diabetes mellitus (DM) é uma condição crônica globalmente prevalente, que compromete a cicatrização e a resposta imune ao trauma cirúrgico. As mãos são particularmente vulneráveis às suas repercussões (microangiopatia, neuropatia e disfunção imune), resultando em um perfil fisiopatológico desfavorável para o desenvolvimento de afecções primárias e a recuperação pós-operatória. Reconhecer esse risco é essencial para a decisão e planejamento cirúrgicos.
Palavras-chave: Cicatrização de feridas; Diabetes Mellitus; Cirurgia da mão; Complicações pós-operatórias; Microangiopatia diabética.
Curva de aprendizado na liberação endoscópica do túnel do carpo: implicações para a formação cirúrgica
Autores: Pedro Faria Ruelli, Carolina Ponchio Ferreira, João Antônio Moreira e Silva, Mariana Souza Diniz Santos e Lucas Barbosa Nonato
Resumo
A síndrome do túnel do carpo (STC) representa a neuropatia compressiva mais prevalente dos membros superiores, com incidência estimada em 1 a 3 casos por 1.000 habitantes ao ano. A liberação cirúrgica do ligamento transverso do carpo e o tratamento definitivo quando a abordagem conservadora falha, podendo ser realizada por via aberta convencional ou endoscópica, predominantemente pelas técnicas de Agee (portal único) e Chow (portal duplo). A via endoscópica tem sido progressivamente adotada em centros especializados sob o argumento de recuperação funcional mais precoce, embora sua curva de aprendizado e o perfil de complicações geram debate consistente na literatura.
Palavras-chave: Síndrome do túnel do carpo; Liberação endoscópica; Curva de aprendizado; Formação cirúrgica.
Desfechos pós operatórios em pacientes sarcopênicos submetidos a cirurgias oncológicas
Autores: Vitoria Tokarski Bley, Raissa Gontijo Jales, Pedro Henrique Simões de Lima, Giovana Messias de Lima Martins, Isadora Mendes e Dra. Laryssa Assis
Resumo
A sarcopenia, caracterizada pela perda progressiva de massa e função muscular, tem sido reconhecida como um importante fator prognóstico em pacientes oncológicos submetidos a procedimentos cirúrgicos. Evidências recentes indicam que a presença dessa condição no período pré-operatório está associada a maior morbidade, complicações pós-operatórias e pior sobrevida, especialmente em neoplasias sólidas como pulmão, estômago e cólon.
Palavras-chave: Sarcopenia; Cirurgia oncológica; Pós-operatório.
Disbiose intestinal e delirium pós-operatório: o papel do eixo intestino-cérebro na neuroinflamação perioperatória
Autores: Laís Gabrielle Bento Pagel, Sophia Alves Portela, Thomás Werneck Esteves Lima, Shélida Vasconcelos Braz e Leonardo Esteves Lima
Resumo
O delirium pós-operatório (DPO) é uma complicação neuropsiquiátrica frequente no contexto cirúrgico, caracterizada por alteração aguda e flutuante da consciência e da atenção, associada a confusão mental e disfunção cognitiva. Sua incidência varia de 5,1% a 19,4%, podendo alcançar até 54% em populações de alto risco, estando relacionada ao aumento da morbimortalidade, tempo de internação e declínio funcional. Nesse cenário, o eixo intestino-cérebro emerge como um importante modulador neuroimune, integrando sinais metabólicos, inflamatórios e neurais entre a microbiota intestinal e o sistema nervoso central. Apesar do crescente número de estudos, ainda não há consenso sobre os mecanismos que conectam a disbiose intestinal ao desenvolvimento do DPO.
Palavras-chave: Delirium; Microbiota; Neuroinflamação;Período perioperatório; Relação intestino-cérebro.
Escafóide, o barco que naufraga fácil
Autores: Ana Luiza Deuschle Alves, Carolina Ponchio Ferreira, Pedro Faria Ruelli, Mariana Souza Diniz Santos e Lucas Barbosa Nonato
Resumo
O escafóide representa o osso carpal mais frequentemente fraturado (60-70% das fraturas do punho). Sua vascularização é caracteristicamente retrógrada, com o principal suprimento sanguíneo proveniente do ramo radial distal. Essa característica anatômica confere ao polo proximal uma elevada suscetibilidade à necrose avascular e à pseudoartrose (não consolidação) quando o diagnóstico ou o tratamento são realizados tardiamente. As lesões tipicamente resultam de um mecanismo de hiperextensão do punho (queda sobre a mão estendida, FOOSH), sendo comumente observadas em adultos jovens no ambiente de emergência.
Palavras-chave: Fraturas do escafoide; Traumatismo do punho; Necrose avascular.
Estratégias de hemostasia em cirurgia da mão: tempo de torniquete e alternativas na prática operatórias
Autores: Pedro Faria Ruelli, Carolina Ponchio Ferreira, João Antônio Moreira e Silva, Mariana Souza Diniz Santos e Lucas Barbosa Nonato
Resumo
O torniquete pneumático é um dos recursos mais utilizados em cirurgia da mão e do membro superior, proporcionando campo cirúrgico exangue e visibilidade operatória adequada. A duração segura de sua aplicação tem sido amplamente discutida na literatura, com implicações para a função nervosa, a integridade muscular e a perfusão tecidual. Paralelamente, técnicas alternativas de hemostasia - notadamente a WALANT (Wide Awake Local Anesthesia No Tourniquet) - tem ampliado o espectro de procedimentos realizáveis sem isquemia induzida, representando mudança de paradigma na cirurgia ambulatorial da mão.
Palavras-chave: Torniquete; Hemostasia cirúrgica; Cirurgia da mão; WALANT; Isquemia de membro superior.
Hipotermia intraoperatória: fatores de risco, predição e impactos nos desfechos cirúrgicos
Autores: Julia Bianchi de Lellis Silva, Laísa Cabral de Oliveira e Silva, Daniel Leal Mathias Castro Rubiano, Gabrielle Luigi Andrade Corrêa e Alécio de Oliveira e Silva
Resumo
A hipotermia intraoperatória, definida como temperatura central <36°C, é um importante desafio à segurança do paciente, com alta incidência em diversos contextos cirúrgicos. A identificação precoce de fatores de risco, como extremos de idade, tempo cirúrgico prolongado e técnica anestésica, é essencial para prevenir o declínio térmico. Essa condição associa-se a maior sangramento, infecção do sítio cirúrgico e tempo de recuperação prolongado, reforçando a necessidade de estratégias profiláticas eficazes.
Palavras-chave: Complicações pós-operatórias; Fatores de risco; Monitorização intraoperatória; Segurança do paciente; Hipotermia.
Impacto da desnutrição no risco de complicações pós-operatórias
Autores: Isadora Mendes Fernandes, Giovana Messias de Lima Martins, Raíssa Gontijo Jales, Vitória Tokarski Bley e Gustavo Del Campo Cordeiro
Resumo
A desnutrição tem sido reconhecida como um importante fator de risco para complicações em pacientes submetidos a procedimentos cirúrgicos. Estudos recentes demonstram que indivíduos com estado nutricional inadequado apresentam aumento da morbidade e mortalidade no período pós-operatório, além de maior risco de infecções, tempo prolongado de internação e pior recuperação. Dessa forma, a avaliação pré-operatória do estado nutricional tem se mostrado um elemento fundamental no manejo de pacientes cirúrgicos, possibilitando a identificação precoce de pacientes em risco e favorecendo melhores resultados.
Palavras-chave:Pós-operatório; Desnutrição; Procedimento cirúrgico.
Impacto da pré-habilitação nos desfechos cirúrgicos em pacientes idosos
Autores: Sofia Brasil Elias Rezende, Sophia Alves Portela, Valentina Rezende Albuquerque, Julia Abrantes Moreira Borba, Bruna Tomás Marra e João de Sousa Pinheiro Barbosa
Resumo
O envelhecimento populacional aumenta o número de idosos submetidos a cirurgias. Nessa população, a menor reserva fisiológica eleva o risco de complicações e pior recuperação. Fatores como fragilidade, baixa capacidade funcional, reduzida aptidão cardiorrespiratória e baixos níveis de atividade física influenciam diretamente os desfechos pós operatórios. Nesse contexto, a pré habilitação surge como estratégia preventiva, baseada em mudanças de rotina e programas domiciliares, com potencial para melhorar a capacidade funcional e favorecer a recuperação cirúrgica.
Palavras-chave: Pré-operatório; Pré-habilitação; Procedimentos cirúrgicos operatórios; Resultado do tratamento; Idoso.
Impacto da sarcopenia nos desfechos clínicos e complicações em cirurgia ortopédica
Autores: Lucca Campos Cagiarani Cabral Pereira, Tiago Silveira Barradas, Felipe Freire do Nascimento Meireles, Luca Rodrigues Pereira Mundim, Vítor Paiva Marques da Silva e Aline Luiza Freire do Nascimento
Resumo
A sarcopenia é caracterizada pela perda progressiva de massa muscular, força e desempenho físico, sendo altamente prevalente na população idosa e associada a desfechos clínicos desfavoráveis. No contexto da ortopedia, sua relevância tem aumentado significativamente, especialmente em pacientes submetidos a procedimentos cirúrgicos ou acometidos por fraturas, como as de quadril e vértebras osteoporóticas. Além de aumentar o risco de quedas e fraturas, a sarcopenia compromete a capacidade funcional e a recuperação pós-operatória. Evidências recentes sugerem que essa condição atua como fator prognóstico independente, influenciando complicações, mortalidade e tempo de internação. Apesar disso, sua avaliação ainda não é rotineiramente incorporada na prática ortopédica.
Palavras-chave: Sarcopenia; Cirurgia ortopédica; Fraturas; Prognóstico; Complicações.
Impacto do protocolo ERAS na redução do tempo de internação em cirurgias colorretais eletivas
Autores: Daniel Leal Mathias Castro Rubiano, Julia Bianchi de Lellis Silva, Luca Rodrigues Pereira Mundim, Igor Dal Secchi Irigonhê e Valéria Leal Mathias Castro
Resumo
O tempo prolongado de internação após cirurgias colorretais está associado a maior risco de complicações, aumento de custos e uso ineficiente de recursos. Nesse contexto, o protocolo Enhanced Recovery After Surgery (ERAS) tem sido adotado como estratégia baseada em evidências para otimizar o cuidado perioperatório e acelerar a recuperação. Estudos recentes mostram que sua implementação reduz o tempo de permanência hospitalar e melhora os desfechos pós-operatórios, com eficácia comprovada em diferentes cenários clínicos.
Palavras-chave: Cirurgia colorretal; Cuidado perioperatório; Período pós-operatório; Recuperação pós-cirúrgica; Tempo de internação.
Impacto dos Protocolos ERAS na redução de complicações e tempo de internação no pós-operatório
Autores: Tiago Silveira Barradas, Felipe Freire do Nascimento Meireles, Lucca Campos Cagiarani Cabral Pereira, Igor Dal Secchi Irigonhê e Aline Luiza Freire do Nascimento
Resumo
Os cuidados perioperatórios tradicionais em cirurgia estão frequentemente associados a maior resposta metabólica ao trauma, recuperação prolongada e aumento das complicações pós-operatórias. Nesse contexto, os protocolos de recuperação acelerada pós-cirúrgica (Enhanced Recovery After Surgery – ERAS) emergem como uma abordagem multimodal baseada em evidências, com o objetivo de reduzir o estresse fisiológico e otimizar os desfechos clínicos. Por meio da integração de medidas no período pré, intra e pós-operatório, esses protocolos têm se consolidado como importante avanço na prática cirúrgica contemporânea.
Palavras-chave: Período pós-operatório; Enhanced Recovery After Surgery; Complicação pós-operatória; Tempo de internação; Protocolo clínico.
Inovações em cirurgia do joelho: o papel da técnica de microfratura na reparação de lesões condrais
Autores: Felipe Freire do Nascimento Meireles, Tiago Silveira Barradas, Lucca Campos Cagiarani Cabral Pereira, Vítor Paiva Marques da Silva, Thainá Machado Mota e Aline Luiza Freire do Nascimento
Resumo
As lesões condrais do joelho representam um desafio frequente na ortopedia, especialmente em indivíduos jovens e fisicamente ativos. A cartilagem articular apresenta capacidade regenerativa limitada devido à ausência de vascularização e baixa atividade celular, dificultando o reparo espontâneo após lesões traumáticas ou degenerativas. Nesse contexto, diferentes estratégias cirúrgicas têm sido desenvolvidas para estimular o reparo do tecido cartilaginoso. Entre elas, destaca-se a técnica de microfratura, procedimento artroscópico amplamente utilizado por sua simplicidade técnica, baixo custo e bons resultados clínicos iniciais. Apesar do surgimento de técnicas mais avançadas, a microfratura permanece amplamente utilizada na prática ortopédica, embora existam discussões quanto à qualidade do tecido reparado e à durabilidade dos resultados.
Palavras-chave: Lesão condral; Microfratura; Cirurgia de joelho; Reparo da cartilagem; Cirurgia ortopédica.
Neutrophil Extracellular Traps na cicatrização cirúrgica e na falha de anastomoses: mecanismos imunotrombóticos e perspectivas terapêuticas
Autoras: Jéssica Franco Cançado Richard e Natasha Rebouças Ferraroni
Resumo
A cicatrização cirúrgica resulta de uma sequência coordenada de eventos inflamatórios, proliferativos e de remodelação tecidual. Neutrófilos desempenham papel central na fase inflamatória inicial, promovendo defesa antimicrobiana e remoção de detritos celulares. Nos últimos anos, tem-se destacado a participação das Neutrophil Extracellular Traps (NETs) nesse processo. As NETs consistem em redes extracelulares de DNA associadas a histonas citrulinadas e proteínas antimicrobianas liberadas por neutrófilos ativados durante o processo de NETose. Embora contribuam para a contenção de patógenos no sítio cirúrgico, evidências recentes indicam que sua formação excessiva pode amplificar a inflamação local, promover imunotrombose e interferir negativamente na cicatrização, especialmente em contextos de anastomoses intestinais.
Palavras-chave: Neutrófilos; Anastomose; Inflamação; Cicatrização.
O impacto da simulação virtual e robótica na curva de aprendizado e no treinamento cirúrgico
Autores: Luca Rodrigues Pereira Mundim, Laísa Cabral de Oliveira e Silva, Julia Bianchi de Lellis Silva, Gabrielle Luigi Andrade Corrêa, Ana Luísa Carvalho Ferreira e Alécio de Oliveira e Silva
Resumo
A formação em técnica cirúrgica é essencial na educação médica, porém métodos tradicionais apresentam limitações, como baixa participação ativa dos estudantes e ausência de padronização na avaliação. Assim, a simulação realística surge como estratégia inovadora, permitindo treinamento em ambiente controlado, com repetição de procedimentos e feedback estruturado. Evidências recentes indicam que essa abordagem favorece o desenvolvimento de habilidades técnicas e não técnicas, além de reduzir a curva de aprendizado e contribuir para maior segurança do paciente, consolidando-se como ferramenta relevante no ensino cirúrgico.
Palavras-chave: Educação médica; Simulação de treinamento; Realidade virtual; Procedimento cirúrgico operatório.
Pré-habilitação multimodal no preparo pré-operatório de cirurgias eletivas: impacto nos desfechos pós-operatórios
Autora: Laís Helena de Sousa Tavares
Resumo
O período pré-operatório constitui etapa estratégica para a otimização clínica de pacientes submetidos a cirurgias eletivas, uma vez que condições como fragilidade, desnutrição, baixa capacidade funcional e estresse psicológico podem comprometer a evolução pós-operatória, agravar complicações e prolongar a internação. Nesse contexto, a pré-habilitação multimodal, composta principalmente por exercício físico, suporte nutricional e preparo psicossocial, tem sido proposta como estratégia para ampliar a reserva funcional, melhorar a resposta orgânica ao trauma cirúrgico e favorecer a recuperação.
Palavras-chave: Assistência perioperatória; Complicação pós-operatória; Reabilitação; Período pré-operatório; Estado nutricional.
Pré-habilitação no pré-operatório: impacto em desfechos cirúrgicos
Autores: Luca Rodrigues Pereira Mundim, Vítor Paiva Marques da Silva, Thainá Machado Mota, Felipe Freire do Nascimento Meireles, Lucca Campos Cagiarani Cabral Pereira e Aline Luiza Freire do Nascimento
Resumo
A pré-habilitação consiste em intervenções multidisciplinares pré-operatórias: exercício físico, suporte nutricional e apoio psicossocial, destinadas a ampliar a reserva funcional antes da cirurgia. Com mais de 300 milhões de procedimentos anuais no mundo e incidência de complicações pós-operatórias superior a 20%, a estratégia surgiu como prioridade em pesquisa e implementação perioperatória.
Palavras-chave: Complicação pós-operatória; Exercício pré-operatório; Pré-habilitação; Recuperação funcional; Reabilitação perioperatória.
Prevenção de aderências intra-abdominais pós operatórias: limitações das abordagens atuais e perspectivas futuras com hidrogéis
Autores: Raíssa Gontijo Jales, Vitória Tokarski Bley, Isadora Mendes Fernandes, Isadora Mendes Fernandes, Giovana Messias de Lima Martins e Ana Paula Martins Pereira
Resumo
As aderências são uma complicação comum no pós-operatório, resultante de conexões fibrosas formadas entre superfícies peritoneais e órgãos após cirurgias abdominais e pélvicas, acometendo mais de 90% dos pacientes. Apesar da maioria ser assintomática, tais estruturas podem evoluir com dor crônica, obstrução intestinal e infertilidade, sendo a principal causa de morbidade no pós-operatório. As opções atuais para a prevenção das aderências consistem principalmente no aprimoramento da técnica cirúrgica, uso de fármacos e aplicação de barreiras físicas, mas apresentam eficácia limitada e variabilidade conforme o sítio cirúrgico.
Palavras-chave: Aderência tecidual; Período pós-operatório.
Relação entre a hiperglicemia de pacientes diabéticos e a disfunção na cicatrização de feridas
Autores: Vitoria Tokarski Bley, Raissa Gontijo Jales, Pedro Henrique Simões de Lima, Giovana Messias de Lima Martins, Isadora Mendes e Dra. Laryssa Assis
Resumo
A cicatrização de feridas é um processo biológico complexo que envolve etapas coordenadas de inflamação, proliferação celular e remodelação tecidual. Em pacientes diabéticos, a hiperglicemia crônica compromete esses mecanismos, resultando em atraso na reparação tecidual. Além disso, estudos recentes demonstram que níveis elevados de glicose afetam negativamente a função celular, a resposta inflamatória e a formação de novos vasos sanguíneos, tornando as feridas mais suscetíveis a infecções e complicações.
Palavras-chave: Cicatrização de feridas; Hiperglicemia; Diabético.
Repercussões fisiológicas do pneumoperitônio em cirurgias laparoscópicas
Autores: Sophia Alves Portela, Sofia Brasil Elias Rezende, Matheus Vieira dos Reis, Paulo José Guimarães de Andrade, Lais Gabriele Bento Pagel e Fabiana Moreira Pontes
Resumo
A cirurgia laparoscópica consolidou-se como uma das principais abordagens cirúrgicas devido a benefícios como menor trauma tecidual, menor dor pós-operatória e recuperação mais rápida. Para sua realização, é necessária a criação do pneumoperitônio, geralmente por insuflação de dióxido de carbono (CO₂), que permite melhor visualização do campo operatório. Entretanto, o aumento da pressão intra-abdominal decorrente desse processo pode provocar alterações fisiológicas relevantes, especialmente nos sistemas cardiovascular e respiratório, podendo influenciar o manejo intraoperatório e os desfechos clínicos.
Palavras-chave: Cirurgia laparoscópica; Débito cardíaco; Mecânica respiratória; Pneumoperitônio; Pressão intra-abdominal.
Síndrome da resposta inflamatória sistêmica na circulação extracorpórea: fisiopatologia e estratégias de mitigação
Autores: Thomás Werneck Esteves Lima, Lucca Campos Cagiarani Cabral Pereira, Felipe Freire do Nascimento Meireles e Leonardo Esteves Lima
Resumo
A circulação extracorpórea (CEC), amplamente utilizada em cirurgias cardíacas, está associada à ativação de uma resposta inflamatória sistêmica significativa. Esse processo resulta do contato do sangue com superfícies artificiais do circuito, além de fenômenos como isquemia-reperfusão, estresse oxidativo e ativação do sistema imune. A síndrome da resposta inflamatória sistêmica (SIRS) decorrente da CEC pode contribuir para disfunção orgânica, incluindo lesão renal aguda, instabilidade hemodinâmica e aumento da morbimortalidade. Nos últimos anos, a compreensão dos mecanismos fisiopatológicos envolvidos tem avançado, evidenciando o papel de citocinas inflamatórias, ativação do complemento e metaloproteinases. Paralelamente, diversas estratégias têm sido propostas para mitigar essa resposta, incluindo intervenções farmacológicas e técnicas extracorpóreas modificadas.
Palavras-chave: Circulação extracorpórea; Resposta inflamatória sistêmica; Cirurgia cardíaca; Estratégias terapêuticas.
Transplante de microbiota fecal para o tratamento de infecções recorrentes por Clostridioides difficile: uma revisão da evidência atual
Autores: Igor Dal Secchi Irigonhê, Felipe Freire do Nascimento Meireles, Henrique Bento Pagel, Rodrigo Fontes do Amaral Silveira e Bruna Louise Zwarg Brandão
Resumo
A infecção por Clostridioides difficile (ICD), uma bactéria anaeróbia Gram-positiva e produtora de toxinas, é causadora da colite associada à antibióticos. É uma das infecções nosocomiais mais frequentes, dotada de uma morbimortalidade significativa, podendo levar à diarréia fatal em indivíduos com a microbiota intestinal desequilibrada (disbiose), como a causada pelo abuso de antibióticos. O tratamento convencional consiste em metronidazol, vancomicina oral (VO) ou fidaxomicina, porém apresenta uma taxa de falha terapêutica em 20-30% dos casos primários, e 45-60% nos recorrentes, por reafirmar a disbiose. O Transplante de Microbiota Fecal (TMF) surge como opção terapêutica para restaurar a eubiose e quebrar o ciclo de recorrência.
Palavras-chave: Clostridioides difficile; Bactéria Gram-positiva; Infecção por Clostridioides difficile (ICD); Colite; Transplante de Microbiota Fecal (TMF).
Uso do plasma rico em plaquetas na cicatrização cirúrgica: evidências e aplicações clínicas
Autores: Gabrielle Luigi Andrade Corrêa, Julia Bianchi de Lellis Silva , Laisa Cabral de Oliveira e Silva, Ana Luísa Carvalho Ferreira, Daniel Leal Mathias Castro Rubiano e Alécio de Oliveira e Silva
Resumo
O Plasma Rico em Plaquetas (PRP) é um concentrado autólogo de proteínas plasmáticas que se destaca por acelerar a regeneração tecidual. Sua eficácia baseia-se na liberação de fatores de crescimento (como PDGF, TGF-β e VEGF) contidos nos grânulos alfa das plaquetas, que estimulam a angiogênese, a mitogênese e a síntese de colágeno. No cenário cirúrgico, o uso do PRP visa otimizar a cicatrização de feridas complexas, reduzir o tempo de recuperação pós-operatória e minimizar riscos de infecção e deiscências. Entretanto, apesar da ampla aplicação em especialidades como ortopedia e cirurgia plástica, a padronização de protocolos de obtenção e aplicação permanece um desafio para a consolidação desta terapia na rotina clínica.
Palavras-chave: Cicatrização; Fibrina rica em plaquetas; Plasma rico em plaquetas; Procedimento cirúrgico operatório.